O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, de 77 anos, pediu demissão do cargo nesta quinta-feira (8). O pedido foi formalizado por meio de uma carta enviada a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual o agora ex-ministro afirma que a decisão foi tomada por “razões de caráter pessoal e familiar”. A saída terá efeito a partir desta sexta-feira (9).
A carta foi assinada poucas horas após Lewandowski participar da cerimônia em memória aos três anos dos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023, realizada no Palácio do Planalto.
No documento, ele afirma ter exercido a função “com zelo e dignidade”, apesar das “limitações políticas, conjunturais e orçamentárias” enfrentadas ao longo de sua gestão. Lewandowski também agradeceu o apoio recebido de Lula e destacou ter sido um “privilégio continuar servindo ao País” após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal.
Mais cedo, durante a solenidade no Planalto, Lewandowski abriu o evento com um discurso em que classificou os atos do ‘8 de janeiro’ como “imprescritíveis e impassíveis de indulto”. A fala ocorreu antes de o presidente Lula vetar integralmente o projeto de lei que flexibilizava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas, tema que vinha gerando forte debate político e jurídico.
Nos bastidores, a saída do ministro já vinha sendo articulada há semanas. O principal fator apontado por aliados foi o esvaziamento da PEC da Segurança Pública, considerada a principal bandeira da gestão Lewandowski.
A proposta teve sua tramitação adiada para 2026 e perdeu pontos centrais, como o fortalecimento da coordenação federal no combate ao crime organizado, o que reduziu significativamente seu impacto político.
Com a exoneração, integrantes próximos ao ministro também devem deixar o comando da pasta. O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida é o nome mais cotado para assumir interinamente o Ministério da Justiça até que Lula defina um novo titular. A expectativa é que a escolha leve em conta tanto critérios técnicos quanto o equilíbrio político da base aliada. (continua)
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(segue) A saída de Lewandowski marca, na prática, o início da reforma ministerial planejada por Lula para 2026. O petista já indicou a interlocutores que pretende promover ajustes na Esplanada dos Ministérios ao longo dos próximos meses, como parte da reorganização do governo diante do cenário eleitoral e das dificuldades enfrentadas em áreas estratégicas da administração federal. (Foto: EBC; Fonte: BPMoney)

