Em um país conhecido pela tranquilidade de suas pequenas cidades e pelo ritmo sereno de suas ruas históricas, o simples ato de caminhar está prestes a ganhar um novo significado — e um limite oficial.
Agora, na Eslováquia, andar depressa demais pode sair caro — literalmente. O Parlamento do país aprovou uma lei que limita a velocidade de pedestres, ciclistas e usuários de trotinetes elétricas a 6 quilômetros por hora nas calçadas de áreas urbanas. A medida, que entra em vigor em janeiro de 2026, foi proposta com o objetivo de reduzir colisões em vias compartilhadas, mas rapidamente virou motivo de piada nas redes sociais.
Segundo o jornal Politico, a emenda foi apresentada pelo deputado Ľubomír Vážny, do partido populista Smer, liderado pelo primeiro-ministro Robert Fico. De acordo com o parlamentar, a nova regra pretende “aumentar a segurança nas ruas, considerando o crescente número de colisões com utilizadores de trotinetas”.
O texto estabelece que o limite se aplica não apenas a pedestres, mas também a pessoas com patins e ciclistas que circulem em passeios. “A emenda permitirá comprovar infrações de forma objetiva, especialmente em casos em que se questione se alguém estava acima da velocidade considerada adequada em áreas destinadas a pedestres”, afirmou Vážny.
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Apesar da justificativa técnica, o governo ainda não explicou como pretende fiscalizar o novo limite. A falta de clareza abriu espaço para críticas e ironias. A oposição classificou a mudança como “absurda”, e até o Ministério do Interior eslovaco sugeriu que seria mais sensato proibir o uso de trotinetes elétricas nas calçadas do que impor uma velocidade máxima a todos os transeuntes.
A proposta também gerou reações curiosas. Nas redes sociais, internautas questionaram se correr para não perder o ônibus poderia resultar em multa.
Outros lembraram que a velocidade média de caminhada fica entre 4 e 5 km/h — e que, segundo a Fundação Britânica do Coração, apenas pessoas com excelente preparo físico atingem 6,4 km/h num passo acelerado. No fim, entre a burocracia e o humor, o novo lema da Eslováquia parece ter ganhado um sentido literal: devagar e sempre — por lei.
A Eslováquia
Localizada no coração da Europa Central, a Eslováquia faz fronteira com a Polônia ao norte, a Ucrânia a leste, a Hungria ao sul, a Áustria a sudoeste e a República Tcheca a noroeste. O país tem uma área de aproximadamente 49 mil quilômetros quadrados e uma população estimada em 5,4 milhões de habitantes. A capital é Bratislava, que também é o principal centro político, econômico e cultural do país. Desde 2004, a Eslováquia é membro da União Europeia e da OTAN, e desde 2009 adota o euro (EUR) como moeda oficial.
O idioma predominante é o eslovaco, pertencente ao grupo das línguas eslavas ocidentais, embora minorias húngaras, romenas e tchecas também estejam presentes no território.
O país tem um dos índices de alfabetização mais altos do continente, ultrapassando os 99%, e apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado muito alto, de 0,860, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A expectativa de vida gira em torno de 78 anos, refletindo avanços consistentes nas áreas de saúde e educação desde sua independência da antiga Tchecoslováquia, em 1993.
A economia eslovaca é uma das mais dinâmicas do Leste Europeu, com destaque para o setor automotivo, responsável por grande parte das exportações nacionais. Grandes montadoras como Volkswagen, Kia e Jaguar Land Rover têm fábricas no país.
O Produto Interno Bruto (PIB) ultrapassa US$ 140 bilhões, com renda per capita próxima de US$ 26 mil (PPC). O país combina indústrias modernas com um setor de turismo em expansão, impulsionado por suas paisagens montanhosas, castelos medievais e estações de esqui nos Montes Tatra, além de um ambiente seguro e estável que atrai visitantes e investidores. (Foto: PixaBay; Fonte: O Globo)

