O governo de Mato Grosso, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), solicitou à 1ª Vara de Campo Verde a conversão do processo de recuperação judicial do grupo José Pupin Agropecuária em falência.
O pedido atinge também as empresas associadas ao conglomerado do empresário José Pupin, conhecido como “Rei do Algodão”, que chegou a comandar mais de 110 mil hectares de plantio e hoje acumula dívidas superiores a R$ 1,3 bilhão.
A PGE não informou o valor exato do débito tributário, mas o processo tem valor de causa estimado em R$ 10 milhões. No pedido, o Estado requer a manifestação do Ministério Público e a preservação dos créditos fiscais devidos.
Segundo o órgão, a empresa não aderiu ao Refis, não apresentou proposta de renegociação e segue inadimplente. Para a Procuradoria, o descumprimento das obrigações fiscais comprova o fracasso da recuperação judicial e a inviabilidade financeira do grupo.
O pedido do governo se soma a outras ações semelhantes. No fim de outubro, o empresário Ricarte de Freitas Neto também solicitou a falência do grupo, alegando que o plano de recuperação aprovado em 2024 não foi cumprido — credores com garantia real deveriam ter recebido até R$ 10 mil em até 60 dias, o que não ocorreu.
A administradora judicial confirmou que o Grupo Pupin não envia sequer a documentação mínima exigida pela Justiça. Já a empresa Agrimaque Peças Agrícolas alegou que Pupin e sua esposa, Vera Lúcia, declararam incapacidade civil e cognitiva, o que inviabilizaria a continuidade da gestão.
A defesa da família argumenta, por outro lado, que foi vítima de um “engodo” ao firmar acordo com o grupo Midas/Fource, que teria assumido o controle patrimonial da empresa sob o pretexto de promover sua reestruturação.
O casal alega que o contrato foi firmado em um momento de fragilidade — Pupin tratava um câncer e Vera Lúcia enfrentava o avanço do Parkinson — e que os recursos do grupo teriam sido desviados.
E veja também!
Prefeito de Sorocaba é afastado do cargo
PT ‘inova’ em pedido de investigação contra Cláudio Castro
O fundo New Distressed FIDC, um dos principais credores, pede uma auditoria independente e questiona a alegação de incapacidade.
Em nota, a advogada Thais Sversut Acosta, representante do casal, afirmou que o grupo solicitou à Justiça a suspensão do contrato com o Midas/Fource e busca recuperar o controle de suas contas e bens. “O Grupo Pupin reafirma que, devidamente administrado, é plenamente capaz de quitar todos os credores, incluindo o fisco estadual e federal”, declarou. (Foto: PixaBay; Fonte: Globo Rural)

