Defesa de Augusto Heleno contesta provas e aponta manipulação em julgamento no STF

direitaonline




No segundo dia do julgamento que envolve o ex-presidente Bolsonaro e sete réus acusados de suposta ‘tentativa de golpe de Estado’, a defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), buscou afastar seu cliente da trama investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado Matheus Milanez apontou que as provas reunidas pela Polícia Federal teriam sido “selecionadas a dedo” para sustentar uma versão desfavorável a Heleno.

“Sabemos que a Polícia Federal sabe exatamente o que tem naquelas provas e selecionou a dedo para criar uma narrativa que colocar o general Heleno nessa suposta trama”, declarou.

Segundo Milanez, os documentos anexados ao processo não têm consistência. Ele chegou a ironizar uma ordem de prisão contra Alexandre de Moraes, assinada pelo próprio ministro, como exemplo de que “o papel aceita tudo”.

O defensor também argumentou que, ao final do governo Bolsonaro, Heleno já estava afastado do então presidente. Ele citou depoimentos de servidores do GSI que relatam a redução da influência do general e afirmou que não houve qualquer conversa dele com Bolsonaro sobre golpe.

Entre os exemplos apresentados, Milanez destacou anotações privadas em que Heleno recomendava que o ex-presidente tomasse a vacina contra a covid-19, algo que Bolsonaro sempre recusou. Para a defesa, esse tipo de registro reforça o distanciamento entre os dois.

A acusação, por sua vez, sustenta que Heleno teria participado de reuniões em que sugeriu a necessidade de agir antes das eleições. O advogado, no entanto, rebateu a interpretação, afirmando que as falas tinham caráter legalista: “O que o general Heleno está trazendo aqui são falas até certo ponto republicanas: após as eleições não tem discussão, quem ganha a maioria dos votos leva”.

Por fim, Milanez disse que a agenda pessoal do ex-ministro, usada como prova, não tinha acesso público e foi alvo de manipulação, com trechos alterados ou retirados. “Nós trouxemos provas de que ninguém sabia sequer que essa agenda existia. Nós provamos que a agenda foi manipulada, com curiosos esquecimento de páginas e construções de linhas de raciocínio que não existem”, afirmou.

Ajude o Direita Online! Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Next Post

Magno Malta propõe “Dia Nacional da Vergonha” em referência a julgamento de Bolsonaro

O senador Magno Malta (PL-ES) apresentou nessa terça-feira (2) um projeto de lei que institui o “Dia Nacional da Vergonha” em alusão ao início do julgamento do ex-presidente Bolsonaro (PL), acusado de tentar articular um suposto ‘golpe de Estado’. De acordo com o parlamentar, a proposta não tem caráter de […]