O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom sobre a situação política da Venezuela e afirmou que é ele quem exerce o controle do país neste momento. A declaração foi feita em entrevista à NBC News, em meio à indefinição sobre quem detém o poder em Caracas após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas.
Ao ser questionado diretamente sobre quem está no comando da Venezuela, Trump respondeu sem hesitação: “Eu”. A fala reforça uma série de declarações feitas pelo republicano nos últimos dias, nas quais ele sustenta que os Estados Unidos assumiram a condução do país sul-americano até que haja uma transição política considerada aceitável por Washington.
No domingo (4), durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump já havia afirmado: “Estamos no comando”. Um dia antes, em coletiva de imprensa realizada no sábado (3), o presidente declarou que os EUA pretendem administrar a Venezuela até que seja possível implementar uma mudança de governo “adequada e sensata”.
Durante a entrevista à NBC News, Trump também destacou que a atuação norte-americana no país conta com a participação de um grupo formado por integrantes do alto escalão de seu governo. Segundo ele, esse núcleo reúne autoridades com “especialidades diferentes” e será responsável por supervisionar as ações dos Estados Unidos na Venezuela.
Entre os nomes citados estão o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário de Defesa, Pete Hegseth; o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller; e o vice-presidente, JD Vance. O presidente afirmou que o grupo “abrange tudo e tem conhecimentos diversos e diferentes”.
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No campo político, Trump descartou a realização de novas eleições venezuelanas no curto prazo. De acordo com ele, não há qualquer possibilidade de um processo eleitoral ocorrer nos próximos 30 dias. A afirmação foi feita dois dias após a captura de Maduro e ocorre no mesmo dia em que Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela.
O republicano afirmou que a prioridade dos Estados Unidos é estabilizar o país antes de qualquer disputa eleitoral. Segundo ele, o cenário atual inviabiliza completamente a votação. “Não, vai levar um tempo [para ter novas eleições]. Precisamos cuidar para que o país se recupere.” Trump acrescentou que não existe “a menor chance de as pessoas sequer votarem” no próximo mês.
Além da reorganização política, Trump afirmou que os EUA estudam um plano de reconstrução da infraestrutura venezuelana, com foco especial no setor energético. De acordo com o presidente, empresas petrolíferas poderão ser incentivadas a investir na recuperação do sistema de produção e distribuição de energia do país, com apoio financeiro do governo norte-americano.
Segundo Trump, esse esforço poderia ser concluído em menos de 18 meses, embora exista a possibilidade de um prazo ainda mais curto, desde que com custos elevados. “Uma quantia enorme terá que ser gasta [com esse projeto], e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita.” O presidente não detalhou quais empresas participariam do plano nem os valores envolvidos.
Apesar do endurecimento do discurso, Trump voltou a negar que os Estados Unidos estejam em guerra com a Venezuela. Ele afirmou que a atuação americana não tem como alvo o país em si, mas grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas e à imigração ilegal. Segundo o presidente, a “guerra” dos EUA é contra “quem vende drogas, com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”.
No cenário interno venezuelano, Delcy Rodríguez assumiu oficialmente a presidência interina nessa segunda-feira (5). Trump afirmou que ela tem colaborado com as autoridades dos Estados Unidos após a captura de Maduro, mas ressaltou que não houve qualquer contato prévio entre Rodríguez e o governo norte-americano antes da operação.
O presidente disse ainda que, em breve, Washington tomará uma decisão sobre a manutenção ou a suspensão das sanções impostas à dirigente, que agora ocupa o cargo máximo do Executivo venezuelano. Em entrevista anterior à revista The Atlantic, Trump já havia declarado que Rodríguez poderia enfrentar consequências ainda mais severas do que Maduro caso não cooperasse com os Estados Unidos.
Durante a conversa com a NBC News, o republicano evitou confirmar se conversou diretamente com a presidente interina, mas destacou o papel do secretário de Estado nas tratativas. Segundo Trump, Rubio “conversa fluentemente com ela em espanhol” e o relacionamento entre ambos “tem sido muito forte”.
O presidente norte-americano também revelou que, segundo informações obtidas por seu governo, “muita gente” dentro da estrutura do poder venezuelano demonstrou interesse em negociar a saída de Maduro do cargo. Ainda assim, afirmou que os Estados Unidos optaram por conduzir a situação “desta forma”, sem apoio de integrantes próximos ao ex-presidente.
Por fim, Trump admitiu que os EUA avaliam a possibilidade de uma nova operação militar caso Delcy Rodríguez deixe de colaborar com as exigências de Washington. Apesar disso, afirmou acreditar que essa alternativa não será necessária, desde que haja cooperação por parte do governo interino.

