O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão em relação à Venezuela ao considerar operações militares contra cartéis de drogas que, segundo Washington, atuam a partir do país governado por Nicolás Maduro.
Fontes citadas pela CNN afirmam que o ataque desta terça-feira (2) a uma embarcação que transportava drogas, que havia partido da Venezuela, foi apenas o primeiro passo de uma ofensiva mais ampla.
De acordo com membros do governo americano, a intenção é intensificar o combate ao tráfico e, ao mesmo tempo, pressionar Maduro, classificado por Washington como “narcoterrorista”. Trump, no entanto, evitou falar abertamente em mudança de regime.
“Não estamos falando sobre isso. Mas estamos falando sobre o fato de que [a Venezuela] teve uma eleição, que foi uma eleição muito estranha, para dizer o mínimo”, afirmou, em referência ao pleito do ano passado, marcado por denúncias de fraude.
Nos últimos dias, os EUA deslocaram para a região navios armados com mísseis Tomahawk, um submarino de ataque, aeronaves de vigilância e mais de 4 mil militares, incluindo fuzileiros navais. Segundo dois assessores da Casa Branca, dez caças F-35 também estão sendo enviados a Porto Rico, onde ocorre um exercício de pouso anfíbio.
O governo Trump ampliou ainda a recompensa pela prisão de Maduro para US$ 50 milhões, reforçando o discurso de que o presidente venezuelano mantém vínculos com cartéis de drogas. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou: “Esta é uma operação antidrogas. Vamos combater os cartéis de drogas onde quer que estejam, onde quer que operem contra os interesses dos EUA.”
Rubio também comentou o ataque ao barco: “Em vez de interditar, por ordem do presidente, nós a explodimos. E vai acontecer de novo. Talvez esteja acontecendo agora”, declarou.
Na última sexta-feira (5), Trump foi ainda mais incisivo, ao autorizar que aviões venezuelanos que ameacem embarcações americanas no Caribe sejam abatidos. A medida, segundo analistas, reforça a ideia de que o republicano passou a tratar suspeitos de contrabando não como criminosos comuns, mas como inimigos de guerra.
O presidente dos EUA autorizando – em frente aos jornalistas – que o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas mande abater caças venezuelanos que colocarem navios norte-americanos em “situação perigosa”.
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— Sam Pancher (@SamPancher) September 5, 2025
Apesar da retórica agressiva, fontes ligadas ao governo reconhecem que não há uma decisão definitiva sobre ataques diretos em solo venezuelano. Ainda assim, interlocutores próximos ao presidente afirmam que ele já deixou claro às Forças Armadas: “se houver uma oportunidade de matar terroristas, ele imediatamente dará sinal verde para que o façam”.
A avaliação em Washington é de que essa estratégia pode provocar fissuras no círculo de poder de Maduro. Parte de seus aliados, que se beneficiam financeiramente do narcotráfico, poderia rever sua lealdade caso os EUA mantenham a pressão militar.
Como disse uma fonte à CNN: “A melhor opção é que Maduro saia por conta própria, para que possa prever as coisas. E aí acho que a mensagem é: ‘Você quer que seja fácil ou difícil?’” (Foto: reprodução redes sociais; Fonte: CNN)

