Tarifas: empresariado cobra urgência do governo

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A aproximação da entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas tem deixado setores produtivos brasileiros em alerta máximo.

Representantes da indústria afirmam que, apesar do acolhimento inicial por parte de Geraldo Alckmin (PSB), as tratativas não avançaram como esperado. O temor é de que o setor exportador brasileiro enfrente perdas irreversíveis a partir de 1º de agosto, data prevista para o início da sobretaxa.

Para o superintendente da ‘Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente’ (Abimci), Paulo Roberto Pupo, o diálogo inicial com o governo foi promissor, mas ficou estagnado.

“A iniciativa do ministro foi perfeita, mas desde então houve pouca evolução. A cada dia que passa, esse cronômetro fica mais vermelho”, disse ele. Segundo Pupo, o cenário exige medidas imediatas, já que há setores inteiros “em risco de paralisia total”.

O empresário contou que chegou a questionar diretamente Alckmin: “Ministro, vamos considerar o pior cenário: chega o dia 1º e não há acordo. O que fazemos com a carga que está no mar?”

Segundo ele, não houve resposta clara, e o governo não teria dado sequência efetiva à questão, agravando o clima de insegurança com declarações políticas.

O presidente da Abipesca compartilha a mesma visão crítica. Eduardo Lobo diz que a situação está cada vez mais tensa e que o setor privado se vê sem capacidade de reação.

“Da reunião para cá, [o cenário] escalou. Está tensionado. Nós empresários estamos assistindo de mãos atadas, sem qualquer tipo de possibilidade de contribuir ou intervir no que está acontecendo”, relatou à CNN Brasil.

Lobo informa que enviará uma carta a Luiz Inácio Lula da Silva solicitando uma linha emergencial de crédito no valor de até R$ 900 milhões, para manter o setor operacional diante da crise iminente. Ele também pediu que o governo postergue a aplicação das tarifas para dar tempo aos diplomatas e exportadores de buscarem alternativas. “É preciso tempo para respirar”, afirmou.

Atualmente, cerca de 70% dos pescados brasileiros exportados têm como destino os Estados Unidos. O mercado europeu, por sua vez, está fechado para o peixe brasileiro desde 2017. Lobo lamenta a situação e teme que, uma vez perdido o espaço nas prateleiras e mesas americanas, ele dificilmente será reconquistado. “Esse lugar foi conquistado com anos de investimentos em qualidade, competitividade e fornecimento contínuo”, destacou.

Pupo, por sua vez, alerta que empresas do setor madeireiro já começaram a conceder férias coletivas e avaliam a possibilidade de demissões em massa. Algumas delas são totalmente dependentes do mercado americano. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: CNN)

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