Os apartamentos compactos passaram a dominar o mercado de locação no Brasil — e estão ficando cada vez menores. Levantamento do DataZAP mostra que a metragem média dos imóveis mais procurados para aluguel caiu para 58 metros quadrados em 2025.
No ano anterior, a média era de 67 m², enquanto em 2023 chegava a 71 m². Trata-se do segundo ano consecutivo de retração no tamanho dos imóveis, reflexo direto de transformações econômicas e demográficas no país.
A redução está ligada a uma combinação de fatores. Mudanças no perfil das famílias, encarecimento do custo de vida e maior oferta de unidades compactas ajudam a explicar o movimento.
Para Tatiane Martins, gerente de inteligência imobiliária do Grupo OLX, a tendência já vem sendo observada há algum tempo. “Temos acompanhado a demanda por imóveis menores ao longo dos anos. E esse comportamento está atrelado não só a mudanças no perfil das famílias, alto custo de vida e possibilidades de financiamentos como também à oferta de imóveis que temos hoje, com metragens abaixo dos 60 m², em especial nas regiões próximas aos grandes centros”, afirmou ao portal ‘Hub Imobiliário’.
Os dados do último Censo reforçam esse novo padrão habitacional. O número médio de moradores por residência caiu de 3,7 pessoas, em 2010, para 2,8 em 2022. Além disso, quase 19% dos lares brasileiros são ocupados por apenas uma pessoa, o que amplia a procura por imóveis menores e mais funcionais.
Outro elemento determinante é o aumento do preço do metro quadrado em regiões valorizadas. Para continuar morando em áreas com boa infraestrutura e acesso a serviços, muitos locatários optam por reduzir o tamanho do imóvel como forma de manter o aluguel dentro do orçamento.
Do lado da oferta, incorporadoras têm direcionado investimentos para empreendimentos compactos, sobretudo nas grandes cidades.
Mesmo com menos espaço, os locatários seguem exigentes quanto à qualidade do imóvel. O levantamento aponta que 77% priorizam apartamentos bem ventilados, 69% valorizam ambientes bem distribuídos e 64% consideram a varanda um diferencial importante.
Nas áreas comuns, a praticidade ganhou protagonismo. Minimercados (33%), serviços de mensageria (32%) e espaço pet (29%) aparecem entre os itens mais desejados. Em sentido oposto, estruturas tradicionais como salão de festas e playground perderam atratividade.
O perfil predominante de quem busca imóveis para locação é formado por mulheres entre 42 e 61 anos, casadas ou em união estável, majoritariamente da classe B.
Mesmo com o avanço dos compactos, os apartamentos de padrão tradicional seguem entre os mais procurados, com destaque justamente para a classe B, que concentra 32% das preferências no mercado de aluguel. (Foto: IA; Fonte: Portal Portas)

