Urgente: Riachuello prevê demissões após fim da taxa das blusinhas

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A decisão do governo Lula de revogar a chamada “taxa das blusinhas” provocou forte reação da Riachuelo. Em entrevista ao NeoFeed, o CEO da companhia, André Farber, afirmou que a empresa poderá iniciar demissões caso a medida seja mantida.

“Se a gente chegar à conclusão que esta decisão de acabar com a taxa das blusinhas será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas. Não tem milagre”, declarou o executivo.



A alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 havia sido implementada em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, do próprio governo Lula. A revogação ocorreu por meio de medida provisória assinada por Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Farber, o setor varejista foi surpreendido pela decisão e não participou de discussões prévias sobre a mudança tributária.

“Foi muito ruim. Uma medida tomada totalmente sem diálogo. Nós não fomos ouvidos. Uma decisão arbitrária do governo”, afirmou.



O executivo argumenta que empresas brasileiras continuam submetidas a uma carga tributária muito superior à enfrentada por plataformas estrangeiras que operam no modelo cross-border, como Shein, Shopee, Temu e AliExpress.

Segundo ele, um produto vendido pela Riachuelo pode acumular entre 80% e 90% de impostos ao considerar taxa de importação, PIS/Cofins e ICMS estadual.

“Estamos vivendo uma situação maluca. Existia uma assimetria tributária, que era de 40%, e agora chegou a 60%”, disse.



Farber também afirmou que a companhia estuda adotar o mesmo modelo logístico utilizado pelas plataformas asiáticas, enviando produtos diretamente do exterior em pequenos pacotes para reduzir custos tributários.

“Nada nos impede de fazer cross-border. Eu instalo uma empresa lá (na Ásia), começo a trazer e mandar no formato de pequenos pacotes, que pagam muito menos impostos”, declarou.

O CEO alertou, porém, que uma eventual mudança nesse modelo poderia afetar operações nacionais e ampliar o risco de demissões.

“Mas no momento que eu fizer isso, eu desmobilizo as operações no Brasil. E isso vai gerar ainda mais demissões. Nada está descartado”, afirmou.



A Riachuelo possui atualmente cerca de 450 lojas no país e emprega aproximadamente 33 mil trabalhadores. No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,3 bilhões, crescimento de 6,7% na comparação anual.

A reação negativa do mercado financeiro à decisão também atingiu outras varejistas nacionais. No dia seguinte ao anúncio do governo, ações da Riachuelo, Lojas Renner e C&A fecharam em queda na B3.

Relatório do BTG Pactual apontou que o fim da cobrança tende a ampliar a diferença de preços entre varejistas nacionais e plataformas estrangeiras.



Farber também criticou o argumento do governo de que o fim da taxa amplia o acesso da população a produtos mais baratos.

“Se o governo tem essa bandeira, eu topo. Mas então ele deveria baixar os nossos impostos. Se quer dar mais acesso, tem que reduzir a carga tributária”, afirmou.

O executivo ainda demonstrou irritação com a falta de diálogo entre o governo e entidades do setor.

“O que me impressiona é que a gente não tenha sido chamado pelo governo, com o impacto econômico gigantesco que geramos”, declarou.

Nos bastidores, entidades do varejo alegam que a revogação da taxa pode comprometer investimentos estimados em cerca de R$ 100 bilhões no Brasil, além de pressionar empregos na indústria têxtil e no comércio nacional. E mais: A ‘pista’ da CBF que indica que Neymar deve ser convocado. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: NeoFeed)

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