A Puma anunciou nesta quinta-feira (26) o cancelamento do dividendo anual e informou que deverá registrar prejuízo em 2026, em meio ao esforço de reestruturação conduzido pelo presidente-executivo Arthur Hoeld.
A empresa alemã vem perdendo espaço para concorrentes globais e tenta recuperar competitividade no mercado de artigos esportivos.
Segundo a companhia, o prejuízo operacional esperado para 2026 deve ficar entre 50 milhões e 150 milhões de euros. Em 2025, a Puma já havia registrado um resultado negativo de 357,2 milhões de euros, número que, apesar de elevado, ficou abaixo dos 374,3 milhões de euros projetados por analistas.
Hoeld demonstrou otimismo com a entrada da Anta, maior marca de roupas esportivas da China, como investidora estratégica. No mês passado, o grupo chinês acertou a compra de 29% das ações da Puma, movimento visto como central para a tentativa de retomada da marca no mercado asiático.
Durante teleconferência com jornalistas, o executivo afirmou que pretende “acelerar o impulso da marca Puma para alcançar sucesso comercial no futuro”.
Ele ponderou, porém, que as vendas na China podem sofrer no curto prazo, já que a Anta adota uma estratégia focada na venda direta ao consumidor, enquanto a Puma tradicionalmente opera por meio de varejistas parceiros.
Arthur Hoeld assumiu o comando da empresa em julho, após passagem pela Adidas, onde atuou como diretor de vendas. A expectativa do mercado é que a nova gestão, aliada ao reforço do capital chinês, ajude a redefinir o posicionamento da Puma em um setor cada vez mais competitivo.
A Puma é uma das marcas mais tradicionais da indústria global de artigos esportivos e carrega em sua origem uma história marcada por rivalidade familiar, inovação e constante reinvenção.
A empresa foi fundada em 1948, na Alemanha, por Rudolf Dassler. Ele e o irmão, Adolf Dassler, haviam criado juntos uma fábrica de calçados esportivos nos anos 1920.
Desentendimentos pessoais e estratégicos, porém, levaram à ruptura da sociedade no pós-guerra. Enquanto Adolf fundou a Adidas, Rudolf criou a Puma — dando início a uma das rivalidades mais conhecidas da história corporativa.
Desde o início, a Puma buscou se diferenciar pela inovação técnica e pela forte ligação com o esporte de alto rendimento. Em 1952, lançou a chuteira Super Atom, uma das primeiras do mundo a utilizar travas removíveis, tecnologia que ajudou atletas a se adaptarem a diferentes tipos de campo. A marca rapidamente ganhou notoriedade no futebol europeu e internacional.
Ao longo das décadas de 1960 e 1970, a Puma consolidou sua presença global ao patrocinar grandes atletas e seleções. Um dos momentos mais emblemáticos ocorreu nos Jogos Olímpicos de 1968, quando o velocista Tommy Smith venceu os 200 metros rasos usando tênis Puma, cena eternizada também pelo gesto histórico de protesto no pódio.
Poucos anos depois, o Rei Pelé tornou-se o maior símbolo da marca, ajudando a Puma a se projetar definitivamente no cenário esportivo mundial.
A partir dos anos 1990, a empresa passou por um processo de modernização e reposicionamento. Além do esporte profissional, a Puma investiu fortemente no design, na moda urbana e no lifestyle, aproximando-se do público jovem e ampliando seu alcance para além das quadras e campos. Colaborações com estilistas, artistas e celebridades passaram a fazer parte da estratégia da marca.
No século XXI, a Puma alternou períodos de forte crescimento com momentos de dificuldades financeiras, em meio à concorrência acirrada no setor esportivo.
Ainda assim, manteve-se como uma das principais fabricantes globais de calçados, vestuário e acessórios esportivos, com presença em praticamente todos os continentes. E mais: Indicado de Lula ao STF mandou AGU suspender ações de desconto ilegal do INSS. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: InfoMoney)

