A caderneta de poupança voltou a registrar forte saída de recursos em setembro, alcançando o segundo maior volume de saques líquidos do ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central. O total retirado no mês foi de R$ 15,011 bilhões, ficando atrás apenas do resultado de janeiro, quando as retiradas atingiram R$ 26,226 bilhões.
Com o desempenho de setembro, o saldo negativo acumulado em 2025 chegou a R$ 78,469 bilhões, reforçando a tendência de queda nas aplicações. Nos meses de maio e junho, entretanto, houve entrada líquida de recursos, os únicos períodos positivos do ano até agora.
A maior parte das retiradas ocorreu no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que registrou déficit de R$ 11,721 bilhões. Já a poupança rural teve saques de R$ 3,290 bilhões.
A rentabilidade da poupança continua atrelada à TR (Taxa Referencial) mais uma remuneração fixa de 0,5% ao mês, fórmula válida enquanto a taxa Selic permanecer acima de 8,5% ao ano — atualmente, o juro básico está em 15% ao ano.
No mercado de capitais, o levantamento DataWise+, parceria entre a B3 e a Neoway, apontou que as ações da Petrobras (PETR4) e da Vale (VALE3) lideraram o ranking das mais negociadas em setembro.
Na sequência, aparecem Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e B3 (B3SA3), que ocuparam quatro posições entre as dez mais movimentadas. Completam a lista Sabesp (SBSP3), Embraer (EMBR3) e Ambev (ABEV3).
O estudo considerou o volume financeiro total negociado no período, levando em conta o preço das ações multiplicado pela quantidade de papéis transacionados, e abrangeu ações, FIIs, ETFs e BDRs.
Indícios
Quando há forte retirada de dinheiro da caderneta de poupança, isso indica que os brasileiros estão sacando mais do que depositando, e o saldo total aplicado nesse tipo de investimento está diminuindo.
Na prática, esse movimento pode ter várias causas e consequências econômicas:
Queda no poder de compra:
Muitas vezes, os saques aumentam porque as famílias precisam complementar a renda para pagar contas, comprar alimentos ou cobrir despesas do dia a dia. Ou seja, o dinheiro que antes era guardado está sendo usado para o consumo básico, o que reflete dificuldades financeiras ou inflação alta.
Busca por investimentos mais rentáveis:
Em períodos em que a taxa Selic está alta, outros tipos de aplicação — como CDBs, Tesouro Direto ou fundos de investimento — passam a render mais que a poupança. Assim, investidores tiram recursos da caderneta e os aplicam em alternativas com maior retorno.
Impacto no crédito imobiliário:
Uma parte relevante dos depósitos da poupança financia o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que é usado pelos bancos para conceder empréstimos habitacionais. Quando há saques em excesso, menos dinheiro fica disponível para o crédito imobiliário, o que pode reduzir o ritmo de novos financiamentos.
Sinal para a economia:
Grandes retiradas também são vistas como um indicador de incerteza econômica. Se as pessoas perdem confiança no futuro, preferem manter o dinheiro em mãos ou buscar aplicações mais seguras e líquidas.
Em resumo, uma forte saída de recursos da poupança costuma indicar que os brasileiros estão gastando mais do que poupando, e pode refletir pressões econômicas, inflação elevada, endividamento das famílias ou mudança no comportamento dos investidores em busca de melhores rendimentos. (Foto: PixaBay; Fontes: CNN; InfoMoney)
