A economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques afirmou que o Brasil vive um cenário de forte deterioração das contas públicas e alertou para os impactos que esse quadro pode provocar sobre empresas, famílias e o sistema financeiro. Segundo ela, o país caminha para “o abismo” caso a política fiscal não seja corrigida.
Durante entrevista, Daniela avaliou que o governo está próximo de um cenário de dominância fiscal, situação em que o elevado endividamento do setor público passa a comprometer a eficácia da política econômica e reduz a confiança dos investidores.
Como exemplo, ela citou um leilão recente do Tesouro Nacional em que títulos públicos com taxa real de aproximadamente 8,5% não teriam despertado interesse suficiente dos investidores. Na avaliação da economista, esse comportamento do mercado sinaliza uma crescente desconfiança em relação à capacidade do governo de equilibrar suas contas no futuro.
Para explicar a situação, Daniela comparou as finanças públicas às de uma pessoa que já utilizou todas as linhas de crédito disponíveis. Segundo ela, é como um consumidor que esgotou o limite do cheque especial, do cartão de crédito e do empréstimo consignado e, ao tentar conseguir novos empréstimos, descobre que nenhuma instituição financeira está mais disposta a conceder crédito.
Na prática, a economista argumenta que, quando investidores deixam de emprestar ao governo com facilidade, o Tesouro precisa oferecer juros cada vez maiores para captar recursos. Isso aumenta o custo da dívida pública e acaba produzindo efeitos sobre toda a economia.
Segundo Daniela, esse processo também encarece o crédito para empresas e consumidores. Como o governo passa a disputar recursos financeiros pagando juros elevados, bancos e investidores direcionam parte do dinheiro para os títulos públicos, reduzindo a oferta de crédito para o setor privado ou tornando os financiamentos mais caros.
Ela afirma que esse cenário já pode ser percebido no aumento das dificuldades enfrentadas por empresas. A economista destacou que o Brasil registrou recorde de pedidos de recuperação extrajudicial e falências no primeiro semestre do ano, ultrapassando a marca de 6 mil empresas afetadas.
As famílias também estariam sofrendo os reflexos desse ambiente econômico. Daniela afirmou que cerca de 83% dos brasileiros possuem algum tipo de endividamento e que, em média, aproximadamente 40% da renda familiar já está comprometida com o pagamento de dívidas.
Na avaliação da ex-presidente da Caixa, caso esse quadro se prolongue, os problemas poderão deixar de atingir apenas empresas e consumidores e alcançar também o sistema bancário. Isso porque um aumento das falências e da inadimplência tende a elevar as perdas das instituições financeiras, afetando seus balanços.
Para Daniela Marques, a continuidade da trajetória atual pode provocar um efeito em cadeia sobre toda a economia, ampliando as dificuldades de crédito, reduzindo investimentos e pressionando diversos setores produtivos do país. Ela resumiu sua avaliação afirmando que o Brasil está sendo levado para “o abismo”. (Foto: EBC)
O Brasil já era, mesmo que a Direita vencer nas Urnas, acho muito difícil reverter tudo o que essa Maldita Esquerda fez. pic.twitter.com/nYXLNasmZ3
— Brazukka (@mattiellosv) July 25, 2026

