O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar a representação apresentada por três parlamentares que pediam o reconhecimento de impedimento e suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução da investigação envolvendo o Banco Master.
Um outro pedido, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), segue em exame na Procuradoria-Geral da República (PGR) e ainda não teve desfecho.
A solicitação rejeitada foi protocolada pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-SC) e Carolina de Toni (PL-SC). Eles apontaram que Toffoli deveria ser afastado do caso em razão de uma viagem realizada em jatinho particular ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, que atua na defesa de um diretor da instituição financeira investigada.
Ao analisar o pedido, Gonet afirmou que a apuração relacionada ao Banco Master “já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República”. Segundo o procurador-geral, diante desse cenário, “não há qualquer providência a ser adotada no momento”.
A decisão foi respaldada publicamente pelo ministro Gilmar Mendes, que classificou a posição de Gonet como equilibrada e manifestou apoio a Toffoli. “A rigor, ele atendeu a todas as considerações da PF e da Procuradoria-Geral [da República]. Não há razão para qualquer questionamento sobre sua conduta”, afirmou Gilmar em entrevista à Folha.
Em publicação nas redes sociais, o decano do STF também destacou princípios institucionais ao comentar o caso. “Em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições”, escreveu.
Ele acrescentou ainda: “Decisões fundadas em critérios jurídicos objetivos, afastadas de pressões circunstanciais, fortalecem a segurança jurídica e reafirmam a maturidade institucional do sistema constitucional brasileiro”.
A decisão da PGR de arquivar o pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli evidencia o funcionamento regular das instituições da República. Em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) January 22, 2026
Diferentemente da representação arquivada, o requerimento apresentado pelo senador Eduardo Girão tem alcance mais amplo. Além da viagem em jatinho, o parlamentar questiona outras atitudes de Toffoli à frente da relatoria do inquérito sobre supostas fraudes financeiras.
Entre os pontos citados estão decisões que, na avaliação do senador, teriam interferido na atuação da Polícia Federal na análise das provas, além de informações que sugerem vínculos entre familiares do ministro e “possíveis envolvidos no escândalo”.
Nos bastidores, Toffoli enfrenta pressão crescente em razão de sua condução do caso. As críticas se intensificaram após a imposição de um rígido regime de sigilo sobre a investigação, a divulgação da viagem com um advogado ligado ao processo e a revelação de negócios que conectam familiares do ministro a um fundo de investimentos associado ao Banco Master, conforme reportagens da Folha.
Além disso, a forma como o inquérito vem sendo supervisionado tem sido alvo de questionamentos públicos por parte da Polícia Federal e vista como atípica por integrantes do Banco Central, da própria PGR e do Supremo Tribunal Federal. Internamente, membros da Corte reconhecem que o episódio contribuiu para uma crise de imagem da instituição. E mais: Encerradas por Lula, escolas cívico-militares têm fila de espera com 11 mil alunos nos Estados. Clique AQUI para ver. (Foto: PGR, STF; Fonte: Folha de SP)

