PF abre investigação sobre suposto elo entre o filme de Bolsonaro e o ‘PCC’

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A Polícia Federal abriu uma nova linha de investigação para apurar uma suposta conexão entre o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a empresa ACX ITC Tecnologia, citada em uma apuração sobre uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem é do Metrópoles.

O foco dos investigadores está em transferências que somam R$ 28 milhões realizadas pela ‘Entre Investimentos e Participações’ para a ‘ACX ITC Tecnologia’.

A ‘Entre’ foi utilizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para realizar o financiamento privado da produção cinematográfica que retrata a trajetória de Bolsonaro. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e abril de 2025.

As movimentações financeiras foram identificadas em um inquérito do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil de São Paulo. A investigação chegou à Polícia Federal há menos de duas semanas e teve origem na chamada Operação Saturno, deflagrada pela corporação paulista em setembro do ano passado.

Após o compartilhamento das informações, os dados passaram a integrar a investigação denominada ‘Compliance Zero’, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. O procedimento inclui uma apuração autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um acordo de R$ 134 milhões firmado entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como suposto financiamento do filme *Dark Horse*.

Entre os pontos analisados pela PF está a possibilidade de solicitar a quebra de sigilos bancários e fiscais da Entre Investimentos e Participações. A empresa já teve dados financeiros acessados pela Polícia Civil paulista e, segundo investigadores, teria sido utilizada por Vorcaro para realizar operações comerciais sem aparecer formalmente como responsável pelos negócios.

A PF também avalia a atuação do proprietário oficial da empresa, Antônio Carlos Freixo Júnior. Investigadores levantam a hipótese de que ele possa ter exercido atividade semelhante à de um operador financeiro informal, conhecido como doleiro.

A investigação busca esclarecer se os R$ 134 milhões disponibilizados por Daniel Vorcaro foram integralmente direcionados à produção de Dark Horse ou se parte dos recursos teve outro destino relacionado ao grupo político ligado a Flávio Bolsonaro. Vale ressaltar que, até o momento, não há nenhum indício de crime mesmo que parte do valor tivesse outro destino.

Outro ponto sob análise é uma eventual relação entre a Entre Investimentos, a produção cinematográfica e integrantes do PCC. No entanto, segundo informações da investigação, a hipótese considerada pelos agentes não necessariamente indica uma relação comercial direta entre os envolvidos.

Os investigadores trabalham com a possibilidade de que diferentes grupos tenham utilizado uma mesma estrutura de lavagem de dinheiro, uma espécie de rede de serviços financeiros clandestinos que poderia atender clientes distintos sem que eles mantivessem contato ou negócios entre si.

A análise dos dados obtidos por meio das quebras de sigilo bancário deve ajudar a esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados. Caso as informações sejam consideradas insuficientes, a Polícia Federal poderá solicitar novos dados às instituições financeiras.

Para novas medidas envolvendo informações protegidas por sigilo, será necessária autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator da investigação relacionada ao financiamento do filme *Dark Horse*. (Foto: divulgação; Fonte: Metrópoles)

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