O Conselho de Administração da Petrobras está analisando a possibilidade de reincluir a estatal no setor de distribuição de combustíveis, potencialmente por meio de um projeto greenfield — ou seja, construído do zero.
A medida, se adotada, pode entrar no Plano Estratégico 2026-2030 da companhia. A proposta, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, não teria como objetivo controlar preços, mas evitar o chamado “represamento de cortes” entre os preços praticados nas refinarias e os repassados ao consumidor final.
A Petrobras, no entanto, negou que exista qualquer decisão tomada. Em nota divulgada na sexta-feira (18), afirmou que “estuda, no âmbito da construção do Planejamento Estratégico, oportunidades de negócios sinérgicos em todos os segmentos de energia”, e ressaltou que “não há nenhum estudo para voltar ao setor de distribuição por meio de um projeto greenfield”.
A distribuidora que operava com a marca Petrobras, a antiga BR Distribuidora, foi privatizada em 2019 e passou a se chamar Vibra Energia. A estatal vendeu a totalidade de sua participação em etapas, com uma última oferta de ações ocorrendo em 2021.
Atualmente, a Vibra pertence majoritariamente a acionistas privados e pode utilizar a marca Petrobras até junho de 2029, conforme contrato vigente. A estatal, no entanto, já informou que não pretende renovar esse acordo.
A simples possibilidade de retorno ao setor causou impacto no mercado: as ações da Vibra caíram 2,3% na quinta-feira (17), após a notícia. Fontes consultadas pela Reuters reforçaram que a Petrobras mantém uma cláusula de não concorrência com a Vibra válida até 2029, o que inviabilizaria qualquer movimentação concreta nesse sentido no curto prazo.
Para analistas, o eventual retorno da Petrobras ao varejo de combustíveis representa um risco tanto do ponto de vista de negócios quanto de governança.
Avaliam que a companhia deveria seguir focada nas áreas onde tem maior eficiência, como a exploração e produção de petróleo — em especial na Bacia de Santos —, e que o mercado de distribuição já é bem disputado por empresas como Ultrapar, Cosan e a própria Vibra.
Em maio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia demonstrado preocupação com o uso da marca Petrobras em postos que não pertencem mais à companhia, alegando que alguns praticam preços elevados que comprometem a imagem da empresa.
Com o encerramento do contrato de licenciamento em 2029, postos com a marca BR — herança da BR Distribuidora — deverão passar por uma reformulação, marcando o fim do uso comercial da marca Petrobras nesse segmento.
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