O Vaticano testemunhou neste domingo (7) um momento histórico para a Igreja Católica. O papa Leão XIV conduziu sua primeira cerimônia de canonização desde que assumiu o cargo em maio e declarou santo o jovem Carlo Acutis, considerado o primeiro representante da geração millennial a alcançar tal reconhecimento.
De acordo com estimativas oficiais, mais de 80 mil pessoas se reuniram na Praça de São Pedro para acompanhar a missa. Para os católicos, a canonização significa reconhecer publicamente que a pessoa viveu uma vida de santidade e está junto de Deus no céu.
Durante sua homilia, o pontífice ressaltou que a canonização é um chamado coletivo. “Todos vocês, todos nós juntos, somos chamados a ser santos”, afirmou. Leão XIV destacou ainda que se trata de “um convite para todos nós, especialmente para os jovens, a não desperdiçar nossas vidas, mas a direcioná-las para o alto e transformá-las em obras-primas”.
A cerimônia também marcou a canonização de Pier Giorgio Frassati, jovem italiano conhecido por sua dedicação aos mais pobres e que faleceu de poliomielite nos anos 1920.
Na abertura do evento, o papa exaltou o legado dos dois novos santos, lembrando que ambos foram exemplos de fé e solidariedade. “Carlo… gostava de dizer que o céu sempre nos esperou, e que amar o amanhã é dar o melhor de nós hoje”, declarou Leão XIV diante da multidão.
Perfil
Carlo Acutis nasceu em Londres em 3 de maio de 1991, filho de italianos. Poucos meses depois, a família voltou a Milão, onde ele estudou no Instituto Tommaseo e recebeu a Primeira Comunhão aos sete anos. Desde cedo mostrou intensa devoção à Eucaristia, participando da missa diariamente e afirmando: “A Eucaristia é minha autoestrada para o céu”.
No Instituto Leone XIII, em Milão, conciliou os estudos com o voluntariado na paróquia Santa Maria Segreta, onde também desenvolveu habilidade em informática, criando sites para iniciativas religiosas e de solidariedade.
Alegre e generoso, ajudava colegas e destinava parte da mesada aos pobres. Seu lema era: “Estar sempre perto de Jesus, esse é o meu projeto de vida”.
Durante as férias em Assis, aproximou-se da espiritualidade franciscana, marcada pela simplicidade e proximidade com os necessitados.
Aos 15 anos, foi diagnosticado com leucemia fulminante. Internado em Monza, ofereceu o sofrimento “pelo Papa e pela Igreja” antes de falecer em 12 de outubro de 2006. Seu corpo repousa no Santuário do Despojamento, em Assis, hoje destino de peregrinos do mundo todo.
Cinco anos após sua morte, surgiu a associação “Amigos de Carlo Acutis”, que impulsionou a causa de canonização. Em 2018, o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas.
Dois milagres atribuídos à sua intercessão — em 2013, no Brasil, e em 2022, em Florença — levaram à beatificação em 2020 e à canonização, tornando-o o primeiro santo da geração millennial. (Foto: Vatican News; Fontes: G1; Vatican News)

