Mais um país da Europa acelera militarização e muda jogo de poder na Europa

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A Alemanha iniciou uma fase acelerada de rearmamento, impulsionada pelos efeitos da invasão russa da Ucrânia, que promete mudar o equilíbrio de forças na Europa.

O Parlamento alemão poderá reintroduzir o serviço militar obrigatório em 2027 caso as tentativas de atrair novos recrutas no próximo ano não tenham sucesso.

A meta do governo é elevar o efetivo das Forças Armadas para 260 mil integrantes ativos, ante cerca de 180 mil atualmente. A França anunciou, na semana passada, medida semelhante. Clique AQUI para ver. (continua)

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(segue) O aumento dos gastos militares começou com a criação de um fundo de € 100 bilhões (aproximadamente R$ 620 bilhões) após o início da guerra em 2022.

A Alemanha, maior economia da Europa, investia apenas 1,19% do PIB em defesa em 2015, mas chegou a 2,12% no ano passado e pretende atingir 3,5% do PIB até 2029, superando o aumento sugerido por Donald Trump e atendendo à meta da OTAN de 5% para gasto total com defesa e infraestrutura militar. Esse percentual deve representar cerca de € 150 bilhões (R$ 930 bilhões), bem acima do previsto para a França.

Historicamente, o equilíbrio europeu previa Paris como potência militar dominante e Berlim como potência econômica, evitando tensões após três guerras entre os dois países entre 1871 e 1939.




Agora, os alemães buscam novo protagonismo, evidenciado pela criação, em abril, de sua primeira brigada no exterior desde a Segunda Guerra Mundial, na Lituânia.

O risco percebido na Rússia motivou outros países europeus a reforçarem suas forças, com a Polônia liderando em percentual do PIB (4,7%). Ainda assim, o orçamento alemão e seu crédito internacional garantem recursos muito superiores.

O governo de Friedrich Merz aprovou um mecanismo que permite ultrapassar o teto de gastos constitucional para aplicar em defesa, e a União Europeia autorizou endividamento adicional para fortalecer o fundo militar criado por Olaf Scholz, dentro do conceito de “Zeitenwende”, ou ponto de virada devido à guerra.




Especialistas alertam que o sucesso depende da adesão de parlamentares, burocratas e população. Pesquisa Forsa-Stern indica 54% de apoio ao alistamento obrigatório, embora 63% dos jovens convocados sejam contrários.

Além disso, o fim da guerra na Ucrânia poderia levar a Alemanha a revisar gastos, mas analistas consideram a tendência de rearmamento irreversível. Um documento vazado ao Politico lista 320 projetos prioritários até 2035, somando € 377 bilhões (R$ 2,3 trilhões).

A estratégia inclui reduzir dependência dos EUA: apenas 10% dos recursos serão destinados a empresas americanas, com a maior parte ficando com europeias, especialmente a Rheinmetall, fabricante de tanques e blindados, que registrou crescimento de 30% na receita e quase 200% nas ações neste ano.




Apesar disso, os EUA permanecem parceiros estratégicos, com compras já confirmadas, como 35 caças F-35, o que tensiona relações com França e Espanha em projetos conjuntos de aviação.

O governo mantém tom de alerta. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que Moscou poderia atacar a OTAN em 2028, antecipando o cenário de risco. E mais: A proposta petista para substituir a GLO. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Folha de SP)

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