Kassio Nunes Marques admitiu ter viajado em um avião particular custeado por uma advogada que atua em ações relacionadas ao Banco Master.
A viagem ocorreu em novembro de 2025, no trajeto entre Brasília e Maceió, e contou também com a presença da esposa do magistrado.
De acordo com o próprio ministro, o deslocamento foi feito em caráter pessoal, a convite da advogada Camilla Ewerton Ramos, responsável pela organização e pelo pagamento do voo. O destino era uma celebração de aniversário na capital alagoana, que reuniu convidados próximos.
A aeronave utilizada pertence a uma empresa vinculada à Prime You, responsável pela administração de bens do banqueiro Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master. O avião, operado pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços, decolou cerca de 35 minutos após o embarque.
Registros do terminal executivo do aeroporto indicam que o ministro, sua esposa, a advogada e o desembargador Newton Ramos acessaram o local no mesmo horário. Nunes Marques afirmou que o magistrado foi seu colega no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Em nota, Camilla Ramos declarou que a contratação do voo ocorreu de forma particular, sem qualquer vínculo institucional, e que todas as despesas foram custeadas por ela. Já Newton Ramos não comentou o episódio.
A advogada atua no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em processos envolvendo o Banco Master, tendo recebido procuração para representar a instituição em dezembro de 2024, especialmente em ações ligadas à recuperação de créditos no setor sucroalcooleiro.
O avião utilizado na viagem é um modelo Legacy 650, da Embraer, com capacidade para até 17 passageiros, registrado sob operação da Prime Aviation. A empresa controladora, Prime You, recebeu investimentos de fundos como Jaguar e Patrimonial Blue, geridos pela Trustee, que mantém conexões com o Banco Master.
Daniel Vorcaro deixou sua participação direta na empresa em setembro de 2025, período em que o banco já estava sob investigação.
O caso ocorre em meio ao aumento da atenção sobre a relação entre membros do Judiciário e agentes do setor financeiro, levantando dúvidas sobre governança e eventuais conflitos de interesse. (Foto: STF; Fonte: BPMoney)

