As viagens pelo continente europeu passaram por uma série de transformações ao longo de 2025. Medidas mais rígidas de controle, novas taxas e ajustes na política de turismo estão mexendo com o bolso e com o planejamento de quem pretende circular pela União Europeia e por países vizinhos.
Fronteiras e controles reforçados
Desde 12 de outubro, a União Europeia colocou em funcionamento o novo Sistema de Entrada/Saída (EES), que substitui o antigo carimbo no passaporte. Agora, viajantes de países fora do bloco precisam fornecer dados biométricos, como impressões digitais, foto facial e informações do passaporte, tudo de forma eletrônica.
O sistema será adotado por todos os países da UE, com exceção de Irlanda e Chipre, além de Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein. A intenção é identificar entradas e saídas com maior precisão, combater a permanência irregular e ampliar o rigor na segurança fronteiriça.
Problemas técnicos atrasaram a implementação completa, e pontos importantes — como o Porto de Dover — só devem aplicá-lo totalmente em 2026. Até lá, espera-se lentidão em alguns postos de entrada, embora a longo prazo o EES deva tornar as passagens mais rápidas.
ETIAS é adiado novamente
O Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS), inicialmente previsto para entrar em vigor logo após o EES, foi empurrado para o fim de 2026.
Quando começar a funcionar, exigirá que turistas de países que não precisam de visto solicitem uma autorização online antes de entrar no Espaço Schengen. A taxa deve ser de 20 euros, com validade de três anos, permitindo permanências de até 90 dias a cada período de 180 dias.
Reino Unido
Fora da UE, o Reino Unido segue caminho parecido. A Autorização Eletrônica de Viagem (ETA), que está em fase piloto desde 2023, passará a ser obrigatória a partir de fevereiro de 2026.
Viajantes de 85 países atualmente isentos de visto precisarão solicitar a permissão digital para estadias curtas. Hoje, o custo é de 16 libras, com validade de dois anos.
Viagens mais caras
Além das novas autorizações, 2025 trouxe aumentos de preços em diversos serviços turísticos. Taxas por noite passaram a ser cobradas em países como Islândia, Espanha, Noruega e Reino Unido; Veneza manteve a cobrança para visitantes de um único dia.
Medidas contra o turismo de massa, como o aperto sobre hospedagens ao estilo Airbnb em Paris e Barcelona, reduziram a oferta de acomodações baratas.
Na prática, viajar pela Europa ficou mais caro — especialmente para quem pratica esportes de inverno. Estações da Suíça, Áustria e Itália registraram aumentos de até 40% nos passes de esqui em relação a 2021, impulsionados pelo aumento dos custos de energia e manutenção.
O continente avança para um modelo de “turismo de qualidade”, que busca receber menos visitantes, porém com maior gasto médio e menor impacto ambiental.
Comportamento de turistas
Várias cidades europeias criaram normas específicas para lidar com comportamentos considerados inadequados por parte de visitantes.
San Sebastián proibiu fumar nas praias.
Albufeira, no Algarve, passou a multar quem circular com pouca roupa fora das áreas próprias.
Em Palma, na Espanha, barcos de festa foram barrados para atender reclamações de moradores e liberar espaço no porto.
Na França, passageiros que causarem transtornos a bordo de aviões podem ser multados em até 20 mil euros, além de receberem proibição de embarque por até quatro anos.
Direitos dos passageiros em debate
Mudanças nas regras de compensação aérea continuam emperradas na UE. Empresas do setor argumentam que ampliar direitos aumentaria o preço das passagens. Há até países defendendo que o tempo mínimo para compensação por atraso suba de três para quatro horas. Sem consenso em 2025, as negociações devem seguir até o início de 2026.
A decisão da Ryanair de acabar com cartões de embarque impressos também gerou controvérsia. Autoridades portuguesas afirmaram que a companhia não pode impedir passageiros de embarcar caso apresentem bilhetes físicos. (Foto: PixaBay; Fonte: EuroNews)

