O economista Stephen Charles Kanitz morreu nessa segunda-feira (24/11), aos 79 anos, em São Paulo. A família não informou a causa da morte. Filantropo, professor e consultor de empresas, Kanitz graduou-se em contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e fez mestrado na Harvard Business School.
Reconhecido como um dos pioneiros na área de avaliação de risco, Kanitz criou, em 1974, o método conhecido como “Termômetro de Kanitz”, que se tornou uma referência para bancos e companhias na análise de solvência.
Em 1994 lançou o livro ‘O Brasil que Dá Certo’, no qual antecipava o impacto positivo do Plano Real. A obra chegou à 32ª edição e lhe garantiu o Prêmio Jabuti de 1995.
Sua visibilidade também cresceu na mídia: foi comentarista da TV Cultura e manteve, entre 1998 e 2009, a coluna Ponto de Vista, na revista Veja. Nas redes sociais, admiradores lamentaram a perda.
O Instituto Millenium destacou que Kanitz esteve entre os nomes mais influentes da gestão e da análise de risco no país. Segundo a instituição, o criador do “Termômetro de Kanitz” revolucionou a forma como empresas e instituições financeiras avaliavam crédito desde os anos 1970.
Além da formação na USP e do mestrado em Harvard, Kanitz possuía doutorado em Ciências Contábeis. Foi professor da FEA-USP e contribuiu para a formação de gerações de profissionais. Também idealizou o ranking “Maiores e Melhores” da revista Exame, participou de discussões sobre a dívida externa e introduziu o uso de planilhas eletrônicas em estudos econômicos no Brasil.
Como autor e colunista, acumulou reconhecimento e conquistou notoriedade com livros e artigos, entre eles o premiado “O Brasil que Dá Certo”.
Kanitz mantinha posições fortes sobre temas econômicos e se descrevia como “comunitarista”. Tornou-se conhecido pelas críticas à Previdência e a políticas econômicas, incluindo divergências com o PT e com o presidente Lula.
Ao longo de sua carreira, participou de fóruns internacionais, integrou conselhos, influenciou empresários, economistas e formuladores de políticas públicas. Sua morte encerra uma trajetória de grande impacto, mas o conjunto de suas ideias permanece vivo no debate econômico brasileiro.
“Marcel, gostaria de falar com você 10 minutos”, disse-me o professor Stephen Kanitz.
“Claro, professor! Será um privilégio!”, respondi com alegria, em meio ao tumulto do Encontro Nacional do Novo lotado em SP, em agosto último.
“Você está indo para onde depois daqui?”.
“Vou… pic.twitter.com/XneRjMRHS8
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) November 24, 2025

