Uma nova proposta do governo federal tem gerado preocupação no setor automotivo. As quatro maiores montadoras que operam no país se uniram para contestar uma norma prestes a ser adotada pela gestão Lula, alertando para riscos profundos à produção nacional de veículos. A reportagem é do Poder360.
Em junho deste ano, os presidentes da Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors assinaram uma carta endereçada a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com duras críticas à medida articulada pelo Palácio do Planalto, sob coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).
A iniciativa prevê a adoção de uma norma que estimula a fabricação de veículos montados com peças totalmente importadas — modelo conhecido como SKD (Semi Knocked Down), muito utilizado por montadoras chinesas.
Na avaliação das empresas, esse sistema praticamente elimina a necessidade de fornecedores nacionais e gera pouquíssimos empregos locais. A carta, assinada por Ciro Possobom (Volkswagen), Evandro Maggio (Toyota), Emanuele Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (GM), afirma que a norma pode comprometer investimentos já anunciados e desorganizar toda a cadeia produtiva do setor.
As montadoras destacam que, nos últimos meses, anunciaram cerca de R$ 180 bilhões em aportes no Brasil ao longo de cinco anos — sendo R$ 130 bilhões destinados à produção de veículos e R$ 50 bilhões ao fortalecimento do parque de autopeças. Diante da possível mudança, esse valor pode ser reduzido em pelo menos R$ 60 bilhões.
Além da retração nos investimentos, a carta alerta para impactos severos no mercado de trabalho. Segundo os executivos, até 10 mil vagas deixariam de ser abertas e outras 5 mil poderão ser eliminadas nas próprias montadoras.
Como cada emprego na indústria automobilística sustenta em média outros dez na cadeia de fornecimento, o setor estima que o efeito cascata pode resultar na perda de até 50 mil postos de trabalho.
“Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”, destaca o texto enviado ao governo. Os executivos também pedem que a política industrial brasileira priorize a produção nacional e “veto privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios”. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Poder360)

