O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir desta segunda-feira (8). A decisão foi tomada após a identificação de duas mortes suspeitas e outros casos de reações adversas graves possivelmente associadas à imunização.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada às 14h41 (horário de Brasília), com participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e representantes do próprio Instituto Butantan.
Segundo o Ministério da Saúde, até o momento cerca de 500 mil doses foram aplicadas em todo o país. Nesse universo, foram registrados 42 casos de reações severas sob investigação, incluindo dois óbitos suspeitos. O governo afirma que todos os episódios ainda estão sendo analisados para verificar possível relação com a vacina.
“Nós tivemos 3 casos graves, desses 2 óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, não existe dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses 3 casos graves, mas é um sinal de alerta”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A vacina desenvolvida pelo Butantan é considerada a primeira dose única contra a dengue no mundo e também o primeiro imunizante totalmente produzido no Brasil para essa finalidade. A campanha de vacinação teve início no começo deste ano, com prioridade para profissionais de saúde.
De acordo com a pasta, a decisão de suspensão tem caráter preventivo e será mantida até uma reavaliação completa dos dados de segurança. Estados e municípios também devem interromper temporariamente a aplicação do imunizante.
O Ministério da Saúde recomendou ainda que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem unidades de saúde caso apresentem sintomas adversos, para monitoramento clínico.
Durante a coletiva, autoridades destacaram que os eventos graves registrados na farmacovigilância não haviam sido observados nos estudos clínicos iniciais da vacina. Segundo o governo, a pesquisa original acompanhou cerca de 16 mil voluntários e indicou eficácia e segurança do imunizante, estudo que chegou a ser publicado pela revista científica Nature.
Os dados mais recentes apresentados pelo ministério mostram que, entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos leves ou moderados, equivalentes a 0,7% dos vacinados.
Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três foram classificados como graves.
O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela evoluiu para dengue grave com choque, foi internada em UTI e se recuperou.
Já os dois casos de óbito envolvem uma mulher de 48 anos, que desenvolveu quadro neurológico com meningoencefalite e morreu 19 dias após a vacinação, e um homem de 58 anos, que apresentou febre cinco dias depois da imunização e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário, também vindo a óbito. O Instituto Butantan ainda não se manifestou. (Foto: divulgação; Fonte: G1)

