O mais recente trabalho do diretor Paul Thomas Anderson, estrelado por Leonardo DiCaprio, vem sendo apontado pela imprensa especializada como um dos destaques do ano — e já surge como forte candidato à temporada de premiações de 2026. Intitulado Uma Batalha Após a Outra (2025), o longa, no entanto, enfrenta uma reação organizada de setores conservadores dos Estados Unidos que defendem um boicote à produção.
No enredo, DiCaprio interpreta um ex-revolucionário em busca da filha desaparecida; o elenco ainda reúne nomes como Sean Penn, Benício del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor e Chase Infiniti.
A reportagem do The Hollywood Reporter que noticiou a campanha de boicote aponta como centro do desconforto entre críticos conservadores uma cena que envolve um ataque a um centro de detenção do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas).
Figuras proeminentes do conservadorismo americano não pouparam críticas. O influenciador Ben Shapiro afirmou: “[O filme] É uma apologia ao terrorismo radical de esquerda, é isso que é (…) Ele tem a sutileza de um tijolo. A sugestão básica é uma teoria da conspiração na qual os Estados Unidos são governados por nacionalistas brancos supremacistas cristãos e alguns poucos companheiros incompetentes e bem-intencionados, como o personagem de DiCaprio, vão enfrentar esse sistema inteiro. E esse sistema deve ser combatido ao custo da família, ao custo da amizade, ao custo da decência, ao custo da capacidade humana básica de sucesso”.
No mesmo tom, o comentarista David Marcus disse à Fox News: “Para que este filme faça qualquer sentido, é preciso acreditar que os Estados Unidos, hoje, neste momento, são uma ditadura fascista. Isso não é apenas uma falácia perigosa, mas, como descobrimos recentemente, uma falácia mortal… O filme todo me deixou um pouco irritado, mas então me lembrei de que a administração Trump está reprimindo o Antifa, os verdadeiros terroristas domésticos de hoje, e talvez este seja um filme divertido para eles assistirem quando estiverem todos na prisão”.
Publicações conservadoras também publicaram textos contundentes contra a dramaturgia e a mensagem do filme. O National Review escreveu que “O filme indiscutivelmente romantiza crimes políticos. Anderson provoca intencionalmente a sede de sangue de seus confrades ‘woke’ (e dos espectadores da Geração Z que não sabem nada sobre os anos 60) ao celebrar as atividades insípidas, heréticas e violentas do passado e presente liberal (…) É o filme mais irresponsável do ano”.
Já o site The Blaze criticou: “Sua celebração do vitriol e do assassinato é esclarecedora. Isto não é o viés habitual da Hollywood ‘anti-conservadora’. Quando o DiCaprio, perpetuamente suado, grita ‘¡Viva la revolución!’ enquanto detona bombas, espera-se que você comemore. E se você não está comemorando, bem, essas bombas são para você… Cada vez mais, Hollywood vê metade do país não como concidadãos com crenças ultrapassadas, mas como inimigos que merecem punição. Possuir armas de fogo, defender fronteiras, votar de forma diferente — essas não são diferenças de política; são tratadas como crimes morais, motivos para extermínio”.
Enquanto isso, críticos de cinema e observadores do circuito de festivais destacam a ‘qualidade técnica’ e as performances do elenco, e apontam o filme como candidato natural a disputar prêmios na próxima temporada. (Foto: divulgação; Fonte: Revista Monet)

