Guiana acusa Venezuela de disparos contra barco em Essequibo

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As Forças Armadas e a polícia da Guiana denunciaram, neste domingo (1º.set.2025), que a Venezuela abriu fogo contra uma embarcação que transportava material para as eleições gerais marcadas para esta terça-feira (2). O episódio teria ocorrido por volta das 14h30, próximo à comunidade de Bamboo, na região de Essequibo — território rico em petróleo e alvo de disputa entre os dois países.

De acordo com comunicado oficial, o barco-patrulha, que levava militares e policiais para proteger servidores eleitorais durante a distribuição do material em locais de difícil acesso, foi atingido por disparos vindos da margem venezuelana. “A patrulha respondeu imediatamente e conseguiu colocar a equipe de escolta fora de perigo. Ninguém ficou ferido e nenhum material eleitoral foi danificado ou comprometido”, informou a nota.

A denúncia reacende a tensão em meio ao pleito que vai definir o novo presidente e o parlamento guianense. A Guiana tem cerca de 850 mil habitantes.

Em resposta, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que o país vizinho busca inflar um clima de hostilidade. “Ontem vimos um comunicado do governo da República Cooperativa da Guiana anunciando um novo incidente no alto rio Cuyuní, mais um, já são vários, indicando que as forças de defesa guianenses foram atacadas a partir do litoral venezuelano. Tentam criar uma frente de guerra (…). Isso não passa de uma ‘fake’ (falsidade)”, disse.

O presidente guianense, Irfaan Ali, também se manifestou, defendendo a cooperação militar dos Estados Unidos no Caribe como forma de proteger a soberania nacional. “Devemos nos unir para combater o crime transnacional, para combater o tráfico de drogas”, declarou à imprensa após registrar seu voto.

A região
Essequibo, localizado no oeste da Guiana, tornou-se um dos principais focos de tensão geopolítica da América do Sul. A região, com cerca de 160 mil km², corresponde a quase três quartos do território guianense e é reivindicada pela Venezuela há mais de um século.

Contexto histórico
A controvérsia remonta ao período colonial. No século 19, o Reino Unido — então potência dominante na Guiana Britânica — e a Venezuela divergiam sobre a fronteira da região. Em 1899, um tribunal internacional sediado em Paris decidiu a favor dos britânicos, mas Caracas nunca reconheceu o resultado, alegando supostas irregularidades no processo. Após a independência da Guiana, em 1966, a disputa foi formalizada no Acordo de Genebra, que abriu espaço para negociações mediadas pela ONU. Desde então, o território continua sendo motivo de atrito entre os dois países.

Geografia e população
O Essequibo é uma área de florestas densas, rios caudalosos e baixa densidade demográfica. A maior parte de sua população é formada por comunidades indígenas e pequenos povoados. A região é banhada por rios importantes, como o Cuyuní e o Mazaruni, que deságuam no rio Essequibo, um dos maiores da América do Sul.

Importância econômica
Durante décadas, a disputa manteve caráter principalmente político. No entanto, a descoberta de enormes reservas de petróleo em águas próximas à costa da Guiana, a partir de 2015, transformou o Essequibo em uma questão estratégica.

Estima-se que o país possua reservas superiores a 11 bilhões de barris, colocando a Guiana entre os novos protagonistas da indústria energética mundial. Além do petróleo, a região também abriga recursos minerais como ouro, diamantes e bauxita, além de vasto potencial hídrico e florestal.

Tensões atuais
A Guiana administra de fato o território, mas a Venezuela reivindica sua soberania sobre toda a área a oeste do rio Essequibo. O governo Maduro intensificou as pressões nos últimos anos, chegando a promover um referendo em 2023 em que a população venezuelana aprovou a incorporação da região. Já a Guiana recorreu à Corte Internacional de Justiça (CIJ), que ainda analisa o caso.

A presença militar dos dois países na fronteira, somada ao interesse estratégico dos Estados Unidos no Caribe, aumentou o risco de confrontos. O governo guianense tem reforçado sua aliança com Washington, enquanto Caracas acusa Georgetown de agir como instrumento das potências estrangeiras. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: UOL)

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