O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na tarde desta terça-feira (27), segundo informações confirmadas por uma fonte em reportagem publicada no UOL.
A viagem ocorreu após Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o parlamentar entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixasse o Brasil.
A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação no STF sobre uma suposta relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, que teria envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes no INSS.
A chegada do senador ao território norte-americano também foi noticiada pela agência Reuters, com base em duas fontes, e pelo jornal The New York Times, que citou duas pessoas não identificadas.
Pessoas próximas a Flávio haviam sido informados mais cedo de que ele estava em um voo com destino aos Estados Unidos. Ainda não havia, porém, confirmação sobre o trajeto utilizado para chegar ao país. A suspeita era de que ele tivesse passado pela Argentina antes de seguir viagem.
Segundo o UOL, Flávio deve conceder uma entrevista coletiva na quarta-feira (28). Uma segunda fonte próxima à família Bolsonaro e a integrantes do Partido Republicano, residente na Flórida, também havia antecipado que o senador chegaria ao estado durante a tarde.
Essa fonte chegou a especular que Flávio poderia comandar uma espécie de “governo em exílio”, sob o argumento de que quase metade da população o consideraria o verdadeiro presidente.
Ela esteve no evento de apuração dos votos acompanhado por Eduardo Bolsonaro, em Miami, no domingo (25), e defendia que Flávio não reconhecesse o resultado eleitoral.
A hipótese de uma passagem pela Argentina ganhou força depois de uma reportagem do site Infobae. Segundo a publicação, o senador teria cruzado a fronteira brasileira por Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, utilizando seu documento nacional de identidade. De lá, seguiria para os Estados Unidos em um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, associado à empresa Baires Fly S.A.
Dados do serviço de monitoramento aéreo FlightRadar24 indicavam que a aeronave havia saído de Buenos Aires e chegado a Puerto Iguazú às 23h45, no horário de Brasília. Até o momento dos registros citados, o avião permanecia na cidade. Não havia confirmação independente de que Flávio tivesse embarcado nele nem de que tivesse utilizado outra aeronave para completar o percurso até os Estados Unidos.
Ainda de acordo com o Infobae, a empresa responsável pelo avião havia solicitado procedimentos aduaneiros e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. A publicação também informou que a decolagem estava prevista para as 2h desta terça-feira.
Nas redes sociais, o empresário Paulo Generoso, próximo de Eduardo Bolsonaro e residente nos Estados Unidos, publicou uma mensagem dando as boas-vindas a Flávio à “terra da liberdade”.
Na postagem, ele agradeceu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pela suposta facilitação da viagem. Até então, o Departamento de Estado dos Estados Unidos não havia confirmado oficialmente qualquer participação de Rubio no deslocamento do senador.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, reagiu com ironia às informações. Ao comentar a possibilidade de envolvimento de terceiros na viagem, afirmou que seria “mentira”. “Sim. Foi o Elon Musk que mandou o foguete”, ironizou.
Em Brasília, uma fonte relatou que uma das filhas de Flávio havia se despedido de duas colegas na segunda-feira (26), dizendo que iria para “os EUA”. O episódio foi mencionado em meio aos rumores sobre a saída do senador do país.
Enquanto as informações sobre a viagem circulavam, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio. O senador não entregou os documentos no prazo de 24 horas estabelecido por Moraes, que o havia intimado na segunda-feira, por volta das 11h. A PF informou que comunicaria ao ministro o descumprimento da determinação judicial.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal. Até o momento, as informações sobre o trajeto utilizado por Flávio para chegar aos Estados Unidos e sobre uma eventual participação de autoridades norte-americanas na viagem não haviam sido oficialmente esclarecidas. (Foto: divulgação; Fontes: UOL; G1)

