A vitória anunciada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou uma forte reviravolta na Bolsa brasileira nessa segunda-feira (26).
Após um movimento de valorização registrado depois da primeira etapa da votação, ações de varejistas e bancos sofreram quedas expressivas, em meio à mudança nas expectativas dos investidores sobre os rumos da economia.
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com desvalorização de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. A reação ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizer que Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
A disputa eleitoral foi marcada por controvérsias e pela prorrogação do horário de votação, motivada por dificuldades no deslocamento de eleitores. O resultado contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro, que vinha apostando em uma vitória de Flávio, especialmente após pesquisas eleitorais indicarem uma vantagem do senador em determinados levantamentos.
Entre os segmentos mais atingidos estiveram as empresas de varejo, que tendem a sofrer com a perspectiva de juros elevados, já que o custo do crédito influencia o consumo e o desempenho dos negócios.
O Magazine Luiza (MGLU3) liderou as perdas entre os papéis destacados, com queda de 58,23%. As ações da Azzas 2154 (AZZA3) recuaram 35,23%, enquanto as da Lojas Renner (LREN3) perderam 33,61%. No setor de supermercados, o Assaí (ASAI3) registrou desvalorização de 42,97%.
A pressão sobre essas empresas ocorreu paralelamente à disparada dos juros futuros, cujas taxas ultrapassaram 16% nos vencimentos mais longos. A taxa básica de juros brasileira estava em 13,75% ao ano, conforme os dados apresentados para o período.
O setor bancário também registrou perdas significativas no pregão. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 29,33%, enquanto as units do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 24,83%. Os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) tiveram baixa de 21,70%, e os do Itaú Unibanco (ITUB4) perderam 13,66%. Já o Santander Brasil (SANB11) encerrou o dia com queda de 4,47%.
O desempenho negativo das instituições financeiras refletiu a cautela dos investidores diante das perspectivas para os juros, o crescimento econômico e a política fiscal petista. A combinação desses fatores pode afetar o crédito, a atividade empresarial e a capacidade de pagamento de consumidores e companhias.
A reação desta segunda-feira contrastou com o comportamento da Bolsa após o primeiro turno. Na ocasião, a liderança de Flávio Bolsonaro impulsionou as ações brasileiras, incluindo as de bancos, diante da expectativa de uma possível mudança no comando do governo federal. (Foto: Luiza Trajano, via EBC; Fonte: InfoMoney)

