A corrida dos exportadores brasileiros para despachar mercadorias aos Estados Unidos antes da entrada em vigor das tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump chegou ao fim. Faltando menos de dez dias para a medida começar a valer, não há mais prazo viável para que os produtos desembarquem em solo americano a tempo de escapar da nova taxação.
Desde o anúncio da tarifa, feito pela Casa Branca em 9 de julho, empresas dos setores de café, carne e celulose intensificaram os envios, numa tentativa de driblar os efeitos da medida. O volume de embarque de carnes, por exemplo, quase dobrou nas duas primeiras semanas do mês. No entanto, a estratégia perdeu eficácia com o avanço do calendário.
De acordo com técnicos do Porto de Santos, ouvidos pela CNN, uma viagem de navio até os principais portos dos EUA leva entre 14 e 18 dias. Com a data de vigência fixada para 1º de agosto, não há mais tempo hábil para que os produtos cheguem ao destino antes da cobrança da nova alíquota.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reforça que o imposto é aplicado no momento da chegada da carga ao país importador. Ou seja, mesmo que o envio ocorra antes do início oficial da tarifa, a taxação será obrigatória se a mercadoria desembarcar após a data limite.
Além do tempo padrão das rotas comerciais, variáveis como condições climáticas, escalas e desvios podem atrasar ainda mais as viagens. No caso do café, cujo principal ponto de saída é o Porto de Santos, mais de 70% das exportações com destino aos EUA utilizam essa rota. De todo esse volume, cerca de 30% desembarca em Nova Orleans e 15% em Nova York, com trajetos que podem durar até 30 dias.
Diante do impasse, o setor produtivo brasileiro busca alternativas. Uma delas é o diálogo com compradores americanos.
A empresa Johanna Food, por exemplo, que importa suco de laranja para Nova Jersey, ingressou com uma ação judicial nos Estados Unidos contra a tarifa. Outras companhias e entidades do país também avaliam a possibilidade de apresentar ao governo norte-americano uma proposta de isenção parcial, solicitando que itens sem produção local nos EUA tenham tributação reduzida.
Entre as lideranças envolvidas nas negociações está a National Coffee Association, principal representante do setor de café nos Estados Unidos.
Como os EUA importam quase todo o café que consomem — e o Brasil é o maior fornecedor, com cerca de 35% das importações —, o produto seria um dos principais candidatos a uma eventual exceção. O setor de frutas também acompanha a discussão: a manga, por exemplo, que quase não é cultivada nos EUA, tem no Brasil seu terceiro maior fornecedor, responsável por aproximadamente 8% das importações.
Enquanto isso, exportadores brasileiros se preparam para enfrentar o impacto imediato das tarifas, que já alteram o fluxo comercial e forçam uma reavaliação das relações econômicas entre os dois países. (Foto: reprodução; Fonte: CNN)
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