Ex-radialista da Jovem Pan é condenado a indenizar rádio por declarações sobre ‘8 de janeiro’

direitaonline

A Justiça de São Paulo, em decisão de segunda instância, condenou o radialista Milton Júnior a pagar uma multa de R$ 75 mil à Jovem Pan após declarações feitas ao vivo em que ele admitiu ter contribuído financeiramente com apoiadores dos atos do ‘8 de janeiro’ de 2023.

À época, Milton apresentava o programa ‘Manhã da Pan’, transmitido pela afiliada da emissora em Itapetininga, no interior paulista.

Segundo a ação protocolada pela própria Jovem Pan, o episódio ocorreu em abril de 2023, quando o apresentador reagiu a falas da deputada federal Simone Marchetto (PMDB), que havia defendido punições aos envolvidos naqueles atos.

Em resposta, Milton afirmou ao vivo: “Patriotas aqui de Itapetininga poderiam ser prejudicados. Eu contribuí, deputada. Pode me denunciar”, disse.

E completou: “Eu contribuí e entrego o recibo para a senhora, pode vir buscar aqui. Ajudei, não tenho medo de assumir o que eu faço (…) se eu tiver que ser preso porque ajudei alguns patriotas a irem para Brasília, a fazer protestos contra um governo ilegítimo, que eu seja preso, deputada. Não há problema nenhum, não há problema”.

Após a repercussão, a emissora decidiu romper o contrato com a afiliada e processar o radialista, alegando que sua postura havia manchado a reputação da marca, gerando “prejuízos imensuráveis”.

Inicialmente, o pedido da Jovem Pan foi rejeitado em primeira instância, sob o argumento de que Milton não vinculou diretamente suas opiniões à emissora, e que o contrato permitia rescisão, mas não justificava o pagamento da multa ou de indenização.

No entanto, ao julgar o recurso, a desembargadora relatora do caso no Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que houve sim violação contratual. Para ela, “é evidente que a declaração do radialista afirmando categoricamente que colaborou financeiramente com os malfadados atos antidemocráticos ocorridos em 08/01/2023 violou a disposição contratual, posto que relacionou a marca e a imagem da empresa de radiodifusão à grave conduta delituosa de ampla repercussão nacional”.

A decisão determinou o pagamento de uma multa contratual de R$ 75 mil, mas rejeitou o pedido de indenização, alegando que a emissora não comprovou os prejuízos materiais alegados. O radialista ainda pode recorrer.

Na defesa apresentada ao processo, Milton Júnior afirmou que não incentivou a violência, nem apoiou os atos de vandalismo. Segundo ele, sua contribuição se restringiu a uma transferência via Pix no valor de R$ 300, em novembro de 2022, para ajudar um conhecido a retornar de Brasília. Argumentou também que, na época, o governo ainda era de Jair Bolsonaro e que a manifestação foi pacífica. “Não houve incitação à desobediência, rebeldia ou colaboração com a prática de atos de desordem”, afirmou a defesa.

O radialista ainda alegou que a postura da afiliada estava alinhada à da Jovem Pan, que, segundo ele, demonstrava apoio ao ex-presidente. Disse também que o contrato firmado não delimitava o conteúdo que poderia ser dito no ar. Mesmo assim, a Justiça considerou que a fala associou publicamente a emissora a um tema de alta sensibilidade nacional e decidiu em favor da empresa. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Rogério Gentile, UOL)

E mais:

Bolsonaro afirma que poderia resolver tarifa de Trump

Toffoli anula decisões da Lava Jato contra doleiro Alberto Youssef

Governo Lula descarta retaliar EUA com ‘Lei da Reciprocidade’ após tarifaço de Trump

Ajude o Direita Online! Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Next Post

Governo tem dificuldade até para encontrar com quem negociar nos EUA

Durante uma reunião realizada nessa terça-feira (15), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu a empresários da indústria nacional a dificuldade em identificar quem será o interlocutor oficial dos Estados Unidos para tratar da recente tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor […]