Ex-delegado da PF que investigou facada em Bolsonaro é preso em operação

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A Polícia Federal em Minas Gerais prendeu nesta quarta-feira (17) o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da instituição no estado, durante uma operação contra uma organização criminosa acusada de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro.

Teixeira, que ocupava o terceiro posto mais alto da cúpula da PF até deixar a função no fim de 2024, atualmente trabalhava na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, vinculada ao Serviço Geológico do Brasil.

O delegado teve papel de destaque em investigações de grande repercussão nacional. Em 2018, chefiou o inquérito da facada sofrida pelo então candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG).

No ano seguinte, conduziu as apurações iniciais sobre o rompimento da barragem em Brumadinho. Em 2023, foi indicado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para integrar o Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras.

Além dele, a operação resultou na prisão de outras 16 pessoas, entre as quais Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração. Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em ativos, o afastamento de servidores públicos e a suspensão das atividades de empresas envolvidas.

As investigações, iniciadas em 2020, revelam que o grupo teria montado um esquema de suborno a funcionários de órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental e de mineração. O objetivo era liberar licenças fraudulentas para exploração de minério de ferro em larga escala, inclusive em áreas de preservação e regiões tombadas, gerando sérios danos ambientais e riscos sociais.

Segundo a PF, mais de R$ 3 milhões foram pagos em propina, com alguns servidores recebendo uma espécie de mesada para atender aos interesses do esquema. O conglomerado sob investigação reúne mais de 40 empresas e mantém projetos com potencial econômico que ultrapassam R$ 18 bilhões.

Os envolvidos podem responder por crimes ambientais, usurpação de bens da União, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e embaraço a investigações.

Além da Polícia Federal, participaram da ação a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal e a Receita Federal. (Foto: Reprodução/Serviço Geológico do Brasil; Fonte: CBN)

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