Urgente: EUA impõem primeiras sanções a empresas brasileiras por ligação com PCC

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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1) a aplicação de sanções contra dois cidadãos brasileiros e três empresas do país por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa apontada pelas autoridades americanas como a maior organização criminosa da América Latina.

As medidas foram determinadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão responsável por executar punições financeiras relacionadas a grupos classificados pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). No mês passado, durante o governo Donald Trump, PCC e Comando Vermelho (CV) passaram a integrar essa lista, embora a classificação tenha enfrentado resistência do governo brasileiro.

Segundo o comunicado do Tesouro norte-americano, a facção representa uma ameaça à segurança dos Estados Unidos.

“O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, uma vez que seus integrantes em todo o território americano — particularmente na Flórida — lavam recursos provenientes do tráfico de drogas e contribuem para um ciclo de criminalidade”, informou o órgão.

As sanções se baseiam em duas ordens executivas americanas. Uma delas, assinada durante a gestão de Joe Biden, incluiu o PCC entre organizações ligadas ao narcotráfico internacional. A outra foi criada no governo George W. Bush para listar entidades consideradas terroristas e posteriormente ampliada por Donald Trump para abranger cartéis de drogas, incluindo PCC e Comando Vermelho.

Essa é a terceira vez que o PCC entra na mira do Tesouro dos EUA. A facção já havia sido alvo de ações semelhantes em 2021 e 2024, mas esta é a primeira medida adotada após sua inclusão na lista de organizações terroristas estrangeiras.

Entre os nomes atingidos pelas sanções estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Também foram incluídas empresas associadas a Shimada com atuação em São Paulo e em Lisboa: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, sediada em Portugal.

De acordo com as autoridades americanas, Shimada seria um “elo-chave” entre integrantes do PCC na Flórida e redes internacionais de tráfico. O Tesouro afirma que ele teria participado da lavagem de mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para enviar recursos de volta ao Brasil destinados à facção.

Já Stella, segundo o governo americano, além de manter relação familiar com Shimada e ter atuado como sua secretária, teria auxiliado no transporte de grandes quantias em dinheiro e em atividades relacionadas à logística das operações financeiras investigadas.

As autoridades brasileiras já investigavam Shimada e empresas ligadas a ele havia pelo menos dois anos. Os nomes também teriam sido citados em apurações relacionadas a supostas irregularidades envolvendo recursos do Corinthians e a empresa Vai de Bet.

Segundo o governo dos Estados Unidos, as investigações avançaram após o FBI prender seis pessoas na Flórida suspeitas de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao tráfico de drogas do PCC.

“Ações recentes das autoridades brasileiras revelaram uma operação de lavagem de dinheiro baseada no comércio, controlada pelo PCC, que utilizava uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para lavar mais de US$ 190 milhões em um período de sete meses”, informou o Tesouro americano.

As sanções aplicadas incluem o bloqueio de bens e ativos existentes em território americano vinculados aos investigados ou às empresas relacionadas a eles. Além disso, pessoas e empresas que mantiverem negócios com os alvos dentro dos Estados Unidos podem ficar sujeitas a restrições adicionais. (Foto: White House; Fonte: UOL)

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