EUA cancelam participação em evento militar no Brasil e geram apreensão da Defesa

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Os Estados Unidos suspenderam a realização da Conferência Espacial das Américas, que estava programada para ocorrer em Brasília no fim de julho, em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB). Além disso, há sinais de que o país também não participará da Operação Formosa, o maior exercício da Marinha no Brasil. A reportagem é da Folha de SP.

O cancelamento foi confirmado em nota à imprensa pela FAB: “O evento foi cancelado por decisão dos Estados Unidos no dia 23 de julho”.

A conferência, organizada pelo Comando Sul (Southcom), teria sua quarta edição em 2025 e reuniria representantes de vários países do continente. O objetivo declarado era ampliar a cooperação no setor espacial, incluindo não apenas a área militar, mas também telecomunicações, pesquisa, economia e navegação. No ano passado, o encontro ocorreu em Miami e contou com delegações de dez países, entre eles Argentina, Canadá, Chile, México e Uruguai.

De acordo com a Folha, a decisão é vista por integrantes do governo petista como reflexo da crise diplomática entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, que vem repercutindo em diferentes frentes, inclusive na cooperação militar.

Operação Formosa sob incertezas
A tensão também se reflete na Operação Formosa, tradicional exercício da Marinha realizado em Goiás. Em 2025, a mobilização envolve cerca de 2 mil militares, mais de 100 veículos e oito helicópteros.

Desde 2023, fuzileiros navais dos EUA participam diretamente das manobras. No ano passado, foram 56 militares americanos enviados ao Brasil, marcando a primeira vez em que tropas chinesas e norte-americanas dividiram o mesmo treinamento no país. Este ano, porém, segundo apuração da Folha de S.Paulo, os americanos não responderam ao convite brasileiro, enquanto a China já comunicou oficialmente que ficará de fora.

Os EUA têm histórico de presença no exercício há cerca de uma década, inicialmente como observadores. Somente nos últimos dois anos passaram a integrar as atividades em campo. A ausência, portanto, seria interpretada como mais um sinal de esfriamento nas relações bilaterais.

Disputa geopolítica
A avaliação dentro das Forças Armadas é de que a postura americana também reflete o estreitamento da parceria militar entre Brasil e China.

No último ano, Pequim enviou tropas para a Operação Formosa, e o governo brasileiro decidiu ampliar sua representação em território chinês, nomeando pela primeira vez um oficial-general para atuar como adido de Defesa na embaixada em Pequim.

Internamente, há ainda divergências no governo Lula. Um grupo próximo ao presidente considera inoportuno manter exercícios conjuntos com militares de um país que impôs sanções contra autoridades brasileiras.

Mal-estar recente
O clima de insatisfação entre Washington e Brasília já havia se manifestado meses antes, durante a visita do chefe do Southcom, almirante Alvin Holsey. A passagem do militar pelo Brasil foi marcada por contratempos e cortes na agenda.

Os americanos solicitaram que Holsey visitasse uma base do Exército em Rio Branco, no Acre —um pedido considerado atípico por oficiais brasileiros, já que a unidade não costuma receber autoridades estrangeiras. Houve tentativa de redirecionar a agenda para Manaus, mas a proposta não foi aceita. Com isso, os compromissos de Holsey ficaram restritos a Brasília. (Foto: FreePik; Fonte: Folha de SP)

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