Esquerda vence eleições presidenciais em Portugal

direitaonline



António José Seguro, de 63 anos, saiu vitorioso da disputa presidencial em Portugal ao derrotar André Ventura, líder do Chega, no segundo turno das eleições realizado neste domingo (8).

Apoiado pelo Partido Socialista (PS), o candidato de esquerda conquistou o cargo máximo do Estado português e tomará posse no próximo dia 9 de março.

Com 99,20% dos votos contabilizados, Seguro obteve 66,82% da preferência do eleitorado, enquanto Ventura ficou com 33,18%. Após a confirmação do resultado, o candidato da direita reconheceu publicamente a derrota e desejou um “ótimo mandato” ao adversário.

O desfecho do pleito foi interpretado como um respiro para os partidos de esquerda, que vêm acumulando perdas sucessivas de espaço na Assembleia da República.

 

Portugal adota o sistema semipresidencialista, no qual o poder Executivo é dividido entre o presidente da República, que é chefe de Estado, e o primeiro-ministro, responsável pela condução do governo.

Diferentemente das eleições legislativas, em que os eleitores escolhem partidos, a corrida presidencial ocorre por meio de candidaturas individuais, ainda que haja apoio formal das legendas.

Embora não exerça funções meramente simbólicas — longe de ser um “rei da Inglaterra” — o presidente português dispõe de atribuições estratégicas.

Entre elas estão a nomeação do primeiro-ministro, a sanção ou veto de leis, a convocação de referendos, o comando das Forças Armadas e a representação internacional do país. O cargo também permite a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições em situações excepcionais.

A primeira rodada da eleição foi marcada por forte pulverização de candidaturas e elevado grau de incerteza. Apesar de Seguro figurar entre os favoritos, outros nomes da direita também apresentavam chances matemáticas de avançar, como André Ventura e João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal. Ao fim do primeiro turno, Seguro somou 31,1% dos votos (1.755.563), enquanto Ventura alcançou 23,5% (1.327.021).

No segundo turno, a campanha do agora presidente eleito apostou no discurso do voto útil, estratégia que se mostrou decisiva. Seguro manteve a liderança nas pesquisas desde o encerramento da primeira etapa e chegou a abrir vantagem superior a 20 pontos percentuais sobre o adversário.

A vitória também foi impulsionada pela migração de votos de candidatos eliminados, especialmente de eleitores ligados a Luís Marques Mendes, além de apoiadores de Henrique Gouveia e Melo e de João Cotrim Figueiredo. Já Ventura enfrentou elevada rejeição popular, em especial por defender propostas como o endurecimento das regras migratórias e mudanças na Constituição.

Nos últimos anos, o cenário político português passou por mudanças profundas. Desde 2019, o Chega saltou de um único deputado para 60 cadeiras no Parlamento.

No caminho inverso, o PS despencou de 120 assentos em 2022 para 58, enquanto o Bloco de Esquerda encolheu de 19 para apenas 1 deputado e o Partido Comunista Português passou de 12 para 3. A exceção nesse contexto foi o Livre, que ampliou sua bancada de 1 parlamentar, em 2019, para 6 em 2025. (Foto: reprodução; Fonte: Poder360)

Ajude o Direita Online! Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Next Post

Padre pede que fiéis que concordam com Nikolas saiam da Igreja e rejeita entregar hóstia

Uma declaração feita durante uma missa no interior de Minas Gerais provocou forte repercussão nas redes sociais e levou a Diocese de Caratinga a se posicionar oficialmente. Durante a homilia na Paróquia Santa Efigênia, localizada em Córrego Novo, o padre Flávio Ferreira Alves afirmou que fiéis que apoiam o deputado […]