O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a aproximação do presidente argentino Javier Milei com setores da oposição brasileira não representa interferência política no Brasil.
Em entrevista a uma emissora da Argentina, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro criticou as acusações feitas pelo governo Lula contra Milei e afirmou que outros episódios envolvendo governos estrangeiros seriam mais próximos de uma interferência eleitoral.
A declaração ocorreu ao comentar a tensão diplomática entre Brasil e Argentina após manifestações de Milei contra o governo brasileiro. Segundo Eduardo, uma conversa entre líderes políticos não pode ser comparada a uma ação de influência externa nas eleições.
Na entrevista, o ex-deputado afirmou que uma eventual ajuda financeira de um governo estrangeiro para beneficiar um candidato em outro país configuraria interferência. Ele citou acusações de que o governo Lula teria ajudado financeiramente a campanha do ex-candidato argentino Sergio Massa nas eleições de 2023.
Eduardo também falou sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que está impedido de retornar ao Brasil para visitar o pai. Ele disse que a decisão judicial representa perseguição política e criticou as restrições impostas ao ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o ex-deputado, ele não consegue voltar ao país com os filhos pequenos para visitar Bolsonaro e afirmou que considera injusto o tratamento dado ao pai. Eduardo também questionou as restrições de comunicação impostas ao ex-presidente e comparou a situação com outros presos no Brasil.
Durante a entrevista, ele voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e afirmou que as decisões tomadas contra Bolsonaro e seus aliados seriam incompatíveis com uma democracia. Eduardo citou ainda as sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos contra o ministro com base na Lei Magnitsky.
Ao ser questionado sobre as declarações de Milei contra Lula, Eduardo afirmou que considera que o presidente argentino foi moderado nas críticas. Ele também mencionou episódios envolvendo familiares de Bolsonaro e afirmou que, na sua avaliação, houve excessos nas decisões judiciais.
Sobre a eleição presidencial de 2026, Eduardo afirmou acreditar na vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), contra Lula. Ele argumentou que o cenário político mudou desde a eleição de 2022 e citou problemas econômicos e de segurança pública como fatores que poderiam influenciar o eleitor brasileiro.
Na avaliação do ex-deputado, o aumento do custo de vida e a percepção da população sobre a criminalidade podem prejudicar a popularidade do atual governo. Ele também criticou a política de segurança do governo federal e citou o debate envolvendo facções criminosas brasileiras.
Eduardo ainda defendeu Jair Bolsonaro das acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirmou que o ex-presidente não participou de uma tentativa de golpe e disse que Bolsonaro estava nos Estados Unidos quando ocorreram os atos em Brasília.
Segundo Eduardo, Bolsonaro teria publicado uma mensagem pedindo que manifestantes retornassem para casa e não teria incentivado ações contra as instituições.
Ao final da entrevista, o ex-deputado comentou o avanço de partidos e candidatos de direita em diferentes países da América Latina. Ele citou nomes como Javier Milei, Nayib Bukele e outros líderes conservadores como parte de um movimento político que, segundo ele, estaria crescendo na região.
Eduardo afirmou que a direita tem conquistado espaço em países latino-americanos e relacionou esse movimento a uma menor influência externa sobre os processos eleitorais.

