Dino dá despacho que blinda chefe de sindicato do irmão de Lula

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino concedeu habeas corpus permitindo que o presidente do Sindinapi, Milton Cavalo, permaneça em silêncio durante seu depoimento na CPMI do INSS, nesta quinta-feira (9/10).

“Me parece parte de um grande esquema de blindagem que usa advogados milionários e que tem muito relacionamento em Brasília”, afirmou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). “Hoje, estamos mais uma vez de mãos amarradas por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que é no mínimo estranha”, acrescentou.

Com a decisão de Dino, Cavalo não está obrigado a falar nem a fazer o juramento de dizer apenas a verdade, seguindo jurisprudência de despachos anteriores.

Na manhã desta quinta, a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Cavalo, na sede do Sindinapi e no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal), do qual o sindicalista é diretor. Em especial, a PF concentrou-se na Cooperativa de Crédito dos Aposentados e Pensionistas (Coopernapi), ligada ao Sindinapi e que funciona no mesmo prédio, no Centro de São Paulo.

Segundo relatórios de inteligência financeira (RIFs) recebidos pela CPMI, a Coopernapi, que opera como agência do Sicoob, era usada para movimentações financeiras do sindicato. Entre janeiro de 2019 e junho de 2025, o Sindinapi movimentou R$ 1,2 bilhão na cooperativa — sendo R$ 586 milhões em créditos e R$ 613,9 milhões em débitos — incluindo operações em dinheiro vivo.

No total, a PF cumpre 66 mandados de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal, todos autorizados pelo STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.

A investigação sobre a chamada “Farra do INSS” foi iniciada pelo Metrópoles em 2023. Em abril deste ano, a primeira fase da Operação Sem Desconto marcou a atuação da PF contra a organização criminosa responsável por descontos irregulares, envolvendo pagamentos do Sindinapi a empresas de familiares de dirigentes da entidade.

Entre 2019 e 2025, pelo menos R$ 8,2 milhões foram repassados a empresas ligadas a parentes de Cavalo e do ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em agosto de 2023. (Foto: STF; Fonte: Metrópoles)

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