A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira, uma operação que tem como alvo o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A ação investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar emendas parlamentares e praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços na Bahia e no Distrito Federal.
Entre os locais estão residências do parlamentar em Salvador e Brasília, uma casa de praia e o escritório político na capital baiana.
De acordo com a PF, há indícios de que o deputado utilizava o secretário parlamentar Marcelo Chaves para intermediar negociações de propina.
As apurações indicam que Félix Mendonça teria recebido vantagens ilícitas, de forma direta e indireta, em troca da destinação de emendas a pelo menos três municípios da Bahia. (continua)
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Parte dos pagamentos, segundo os investigadores, ocorreu em dinheiro vivo. A PF aponta que o empresário Evandro Baldino do Nascimento, citado como integrante do grupo investigado na Operação Overclean, teria feito a entrega dos valores em espécie. O esquema envolvia contratos públicos nas áreas de engenharia e limpeza.
Mensagens analisadas no inquérito mostram que, em outubro do ano passado, Marcelo Chaves negociava os repasses utilizando codinomes para se referir ao dinheiro, como “caloi”, “platitas”, “laplatina”, “garfo”, “soldas”, “garrotes” e “praguinhas”.
O inquérito também indica o uso de emendas Pix. Em 2021, após a posse dos prefeitos, uma empresa de serviços técnicos de engenharia ligada a Baldino venceu contratos em Ibipitanga e Boquira, cidades que receberam recursos indicados pelo deputado.
Para a Polícia Federal, Félix Mendonça era tratado como o “amigo” nas conversas interceptadas. Em encontros marcados para o pagamento do “amigo”, nos dias 12 e 16 de setembro de 2024, o parlamentar estava em Salvador. Novos elementos reunidos ao longo do ano reforçaram a suspeita de recebimento de valores nessas datas.
Prefeitos também aparecem entre os investigados. A PF aponta indícios de repasses ao ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), ao prefeito de Ibipitanga, Beto (PT), e ao prefeito de Boquira, Alan França (PSB). As defesas negam qualquer irregularidade.
Além das buscas, foi determinado o sequestro de cerca de R$ 24 milhões, atingindo empresários, prefeitos e o secretário parlamentar. Em nota, a PF afirmou que a medida busca “interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicos”.
A operação foi autorizada pelo ministro Nunes Marques, relator do caso no STF, após a apresentação de novos indícios. Em junho do ano passado, o magistrado havia considerado que as provas disponíveis ainda não eram suficientes para justificar diligências contra o deputado.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, contratos administrativos e lavagem de dinheiro.
A Operação Overclean também apura a atuação de outros parlamentares, entre eles Elmar Nascimento (União-BA), Dal Barreto (União-BA) e Vicentinho Junior (PP-TO).
Esta é a nona fase da Operação Overclean, que conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. E mais: Brasil pode ter nova companhia aérea; Saiba detalhes. Clique AQUI para ver. (Foto: PF; Fonte: UOL)

