O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes (foto), de 64 anos, foi morto a tiros nesta segunda-feira (15) em Praia Grande, na Baixada Santista.
Considerado um dos maiores adversários do Primeiro Comando da Capital (PCC), Fontes ocupava desde 2023 o cargo de secretário da Administração do município litorâneo, mas estava afastado de suas funções na Polícia Civil.
Segundo informações iniciais, o ataque ocorreu no bairro Mirim. Fontes dirigia um Fiat Argo preto quando foi surpreendido por criminosos armados de fuzil. Ele tentou escapar, mas acabou colidindo com um ônibus durante a perseguição. Imagens de câmeras de monitoramento mostram o momento em que homens armados descem de um veículo preto e disparam diversas vezes contra o carro do ex-delegado.
A investigação aponta que pelo menos três automóveis foram utilizados na ação criminosa: um Renault Logan, um Jeep Renegade e uma SUV preta.
O Renegade foi encontrado abandonado em uma área de mata, a cerca de dois quilômetros do local do crime. Já a SUV foi localizada incendiada. Em um dos pontos ligados à emboscada, policiais apreenderam munições e carregadores de fuzil. Até a noite desta segunda-feira, o Logan ainda não havia sido localizado.
Há indícios de que os ocupantes do Logan tenham efetuado disparos diretamente contra o carro de Fontes, mas ainda não se sabe se ele foi atingido antes da batida contra o ônibus.
Durante a ação, um homem e uma mulher também ficaram feridos. Eles foram socorridos pelo Samu e levados inicialmente a uma UPA, sendo posteriormente transferidos ao Hospital Municipal Irmã Dulce. A mulher deve receber alta em breve, enquanto o homem segue internado, mas sem risco de morte, segundo a prefeitura.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) lamentou a morte e destacou que Fontes dedicou mais de quatro décadas à Polícia Civil. Ao longo de sua carreira, chefiou importantes departamentos, como o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o Denarc (Departamento de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), o Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital) e o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). “O Supremo decidiu, nós temos que respeitar”, registrou em nota a pasta, reforçando a relevância de sua trajetória.
O secretário de Segurança, Guilherme Derrite, afirmou que determinou a criação de uma força-tarefa para identificar e prender os envolvidos na execução. O caso ficará sob responsabilidade do DHPP, em São Paulo.
O momento é de luto, mas também de muito trabalho para identificar, o mais rápido possível, os criminosos que participaram dessa ação covarde. pic.twitter.com/HHnXuvxbT7
— Guilherme Derrite (@DerriteSP) September 16, 2025
Fontes construiu sua reputação principalmente pelo enfrentamento à facção criminosa PCC. Em 2006, foi o responsável por indiciar toda a liderança da organização, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de o grupo ser transferido para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil e especialização em Administração Pública, o ex-delegado também teve formação internacional: realizou cursos de combate ao narcotráfico e ao terrorismo na França e no Canadá.
Em janeiro de 2023, assumiu oficialmente a Secretaria de Administração de Praia Grande, cargo que ocupava até ser vítima do atentado. (Foto: divulgação; Fontes: CNN; UOL)

