A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, defendeu um novo ajuste das contas públicas e afirmou que um eventual governo do candidato terá como prioridade combater o que considera excessos da máquina estatal. Em entrevista ao UOL, a ex-presidente da Caixa disse que a experiência do governo Jair Bolsonaro deixou lições para a formulação de uma nova agenda econômica.
Daniella rejeitou a avaliação de que Bolsonaro tenha abandonado a austeridade durante a pandemia. Segundo ela, o governo reduziu a estrutura administrativa no início do mandato e os cerca de R$ 700 bilhões gastos durante a crise da Covid-19 tiveram caráter excepcional, destinados à preservação de vidas, empresas e empregos. Ela também destacou o corte de aproximadamente 20 mil cargos comissionados em 2019.
Para a economista, uma eventual gestão de Flávio deverá priorizar a redução de despesas consideradas improdutivas antes de discutir novos sacrifícios para a população. Ela citou gastos administrativos, benefícios, viagens e imóveis públicos ociosos como áreas que deveriam ser revistas.
A coordenadora também afirmou que o governo Bolsonaro não conseguiu avançar em todas as privatizações inicialmente planejadas. Segundo ela, a experiência levou a uma mudança de estratégia: em vez de apenas vender estatais, seria necessário avaliar quais empresas devem ser encerradas, profissionalizadas ou mantidas por desempenharem funções consideradas estratégicas.
Daniella defendeu ainda uma nova função para os bancos públicos, especialmente a Caixa Econômica Federal. A proposta seria transformar a instituição em uma espécie de instrumento de apoio ao empreendedorismo, facilitando o acesso de pequenos empresários e trabalhadores a crédito, orientação financeira e processos de formalização.
Sobre uma eventual nova reforma da Previdência, a economista não confirmou uma proposta específica. Disse, porém, que não considera adequado exigir novos esforços da população antes de enfrentar despesas que classifica como privilégios e excessos do Estado.
Daniella também demonstrou confiança na capacidade de articulação com o Congresso. Ela citou a aprovação da reforma da Previdência no governo Bolsonaro como exemplo de que mudanças estruturais podem avançar com apoio da sociedade, da imprensa, de técnicos e do setor empresarial. Para ela, o objetivo de um eventual governo Flávio será combater a “gastança”, reduzir despesas excessivas e enfrentar a burocracia que, em sua avaliação, dificulta o crescimento econômico.
Daniella Marques EVAPORA Blogueira do UOL com INVERTIDA HISTÓRICA!
A OPINIÃO É SUA pic.twitter.com/EqNJ6igZpE
— EdiMachadoX@1957 (@edivaldocmachad) August 29, 2026

