José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que é falsa a avaliação de que o Brasil enfrenta uma crise fiscal. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (31), o ex-presidente da Petrobras classificou a discussão sobre o tema como “fake news”.
Na avaliação de Gabrielli, os principais indicadores da economia brasileira não apontam para uma situação que justifique alarme. Ele citou a taxa de desemprego, o comportamento da inflação, as contas externas, o nível das reservas internacionais e o câmbio como sinais positivos.
“Não existe uma questão fiscal, ou uma crise fiscal. É meio fake news isso. A economia brasileira está apresentando bons sinais, o desemprego é baixo, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) vem apontando para queda, não temos problema da balança de pagamentos, nossas reservas internacionais são firmes e a taxa de câmbio está controlada”, disse Gabrielli à Folha.
“Não há nenhum motivo para pânico”, acrescentou.
A declaração coloca o coordenador do programa de governo de Lula em posição diferente da adotada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O titular da pasta tem defendido medidas para conter o avanço das despesas públicas e fortalecer o cumprimento das regras previstas no arcabouço fiscal.
Gabrielli também minimizou as preocupações relacionadas ao crescimento da dívida pública. Para ele, a trajetória atual não apresenta características de uma situação explosiva. Um dos argumentos utilizados pelo coordenador é a manutenção das projeções do mercado para os principais indicadores macroeconômicos de 2027, que, segundo ele, não passaram por mudanças significativas.
Dentro do PT, Gabrielli é associado a setores que defendem maior flexibilidade nas regras fiscais para permitir um volume mais elevado de investimentos públicos. A posição contrasta com a de Durigan, que reconhece a necessidade de controlar despesas e defende o fortalecimento do atual arcabouço fiscal.
A divergência ganhou espaço justamente em meio às discussões sobre os rumos econômicos de um eventual novo governo Lula. Nesta semana, Gabrielli também foi procurado por movimentos e entidades que defendem a ampliação da tributação sobre os chamados “super-ricos”.
A articulação busca construir uma posição de contraponto à pressão por medidas de maior austeridade fiscal e por um controle mais rigoroso dos gastos públicos caso Lula conquiste um novo mandato. E mais: Flávio rebate fala de Lula sobre lixeiros: ‘profissão muito pobre, não dá orgulho’. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: poder360)

