O crescimento das compras pela internet no Brasil vem criando novas formas de geração de renda para pequenos empresários e trabalhadores. Além de movimentar bilhões em vendas, o comércio eletrônico passou a abrir espaço para negócios locais que atuam como pontos de retirada, centros de apoio logístico e parceiros responsáveis pela entrega de mercadorias.
De acordo com a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), o setor de comércio eletrônico movimentou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% em comparação com o ano anterior. A expectativa é que o faturamento alcance R$ 259,08 bilhões em 2026, impulsionando a expansão das redes de logística.
Diante desse cenário, grandes plataformas digitais passaram a integrar pequenos estabelecimentos às suas operações para aproximar os produtos dos consumidores e tornar o processo de entrega mais eficiente.
O Magazine Luiza, por exemplo, mantém uma rede com 1.600 pontos de retirada. Desse total, 1.245 são lojas próprias da companhia e outros 355 fazem parte da Agência Magalu Entregas, formada por pequenos negócios cadastrados para receber e organizar encomendas.
A Shopee também criou uma rede de apoio logístico por meio das chamadas Agências Shopee. São estabelecimentos comerciais que continuam exercendo suas atividades tradicionais, mas passam a oferecer serviços de retirada, coleta de pedidos e logística reversa. Atualmente, a plataforma conta com mais de 3 mil unidades distribuídas em mais de 800 cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, são mais de 500 agências, sendo aproximadamente 90% delas pequenos negócios.
Outra frente de expansão envolve trabalhadores que desejam atuar diretamente nas entregas. A Amazon possui o programa Amazon Hub Delivery, que conecta pequenas e médias empresas à estrutura logística da companhia para realizar entregas dentro das próprias comunidades onde estão instaladas.
A Shopee também mantém um programa de motoristas parceiros, que reúne mais de 45 mil profissionais em todo o Brasil. Já o Magalu oferece a possibilidade de atuação como parceiro de entregas do Magalog, permitindo que pessoas utilizem seus próprios veículos para realizar serviços conforme a disponibilidade.
No caso das Agências Shopee, os interessados precisam possuir CNPJ com atividade compatível, inscrições estadual e municipal, além de espaço físico para receber e armazenar pacotes. Também são necessários equipamentos como computador ou smartphone para leitura dos códigos e impressora térmica.
O programa de Motoristas Parceiros da Shopee exige CNPJ ativo em nome do participante, carteira de habilitação válida com registro de atividade remunerada (EAR) e veículo regularizado. O modelo permite realizar entregas aos consumidores ou coletar pedidos junto aos vendedores da plataforma.
Na Amazon, o Amazon Hub Delivery busca ampliar a presença logística em diferentes cidades brasileiras. Para participar, o empreendedor precisa ter um negócio regularizado, disponibilidade para realizar entregas ou uma equipe preparada para a atividade, além de cumprir os requisitos operacionais da empresa.
O Magalu também oferece oportunidades por meio da Agência Magalu Entregas. Os estabelecimentos parceiros precisam ter espaço adequado para armazenamento, conexão de internet e celular compatível com o aplicativo de gerenciamento. A remuneração ocorre por pacote registrado na operação.
Além disso, empreendedores podem atuar como parceiros de entrega do Magalog. Para isso, é necessário ter idade mínima de 18 anos, veículo próprio regularizado e celular com acesso à internet.
Outras grandes plataformas também ampliaram esse modelo. O Mercado Livre mantém as Agências Mercado Livre, estabelecimentos físicos que recebem e entregam encomendas enquanto continuam funcionando como lojas convencionais. Para participar, o negócio precisa ter CNPJ, emitir nota fiscal, possuir conta no Mercado Pago e estrutura para atendimento ao público.
Já os entregadores parceiros do Mercado Livre devem ter veículo em boas condições, carteira de habilitação válida, CNPJ como MEI com atividade relacionada a entregas e celular Android. Após o cadastro, o profissional pode escolher rotas e horários disponíveis para realizar as entregas.
Com o avanço do comércio eletrônico, a logística passou a representar uma nova oportunidade para pequenos negócios que buscam ampliar suas fontes de receita. O movimento mostra que a economia digital não está criando oportunidades apenas para quem vende pela internet, mas também para quem participa da cadeia responsável por fazer os produtos chegarem aos consumidores. (Foto: InfoMoney; Fonte: InfoMoney)

