Agora: Damares abandona campanha de Flávio Bolsonaro

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A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu deixar sua participação na elaboração do programa de governo do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão ocorre em meio ao desgaste provocado por críticas a ela pela própria direita, intensificadas após a divulgação de um vídeo de Michelle Bolsonaro com acusações contra Flávio, indicado por Bolsonaro para ser seu sucessor na presidência da República.

Em conversa com a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Damares confirmou que interrompeu sua colaboração na construção das propostas da campanha, área para a qual havia sido convidada a contribuir, especialmente nos temas de direitos humanos e assistência social.

“Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição”, declarou a senadora.

Segundo Damares, o que ela considerou como ‘ataques’ partiram de integrantes do próprio campo conservador. “Fui atacada diretamente pelo time da direita”, afirmou. Ela também disse que não voltou a ser procurada por Flávio Bolsonaro desde então. Questionada sobre o motivo, respondeu apenas: “Ele está correndo”.

Como reflexo do clima de tensão, a parlamentar optou por não comparecer ao encontro entre Flávio Bolsonaro e lideranças femininas, realizado nesta quarta-feira (1º), em Brasília. Pessoas próximas à senadora avaliam que o afastamento da elaboração do programa de governo pode ser seguido por um distanciamento ainda maior da pré-campanha do senador ao Palácio do Planalto.

Nos últimos dias, Damares também saiu em defesa de Michelle Bolsonaro e buscou reduzir o desgaste entre a ex-primeira-dama e Flávio. Apesar disso, evitava confirmar presença no evento voltado ao público feminino, postura semelhante à adotada por Michelle. Posteriormente, nenhuma delas de fato compareceu.

A ex-ministra do governo Jair Bolsonaro havia sido procurada para colaborar na redação de propostas voltadas às áreas de direitos humanos e assistência social.

O convite foi feito por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e apontada como possível candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A iniciativa foi vista como uma tentativa da campanha de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, considerado um dos principais desafios do pré-candidato. Nas pesquisas, é o voto feminino que ainda dá vantagem a Lula.

Paralelamente, Damares passou a ser alvo de cobranças de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A senadora protagonizou uma troca de mensagens públicas na rede social X com Paulo Figueiredo, aliado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), após ele criticar a indefinição sobre sua participação no encontro com lideranças femininas.

“Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário estariam todas unidas, certo?”, escreveu Figueiredo ao comentar uma declaração anterior de Damares, na qual ela afirmou ao Metrópoles que estava “orando” antes de decidir se participaria da agenda partidária.

Em resposta, a senadora defendeu sua atuação no movimento conservador e convidou Figueiredo a visitar seu gabinete, em Brasília.

O aliado de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos e teve o passaporte brasileiro cancelado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que apura os atos antidemocráticos, voltou a criticá-la.

Segundo ele, Damares não teria abraçado a pauta bolsonarista de enfrentamento ao STF durante seu mandato, além de ter aderido à “militância feminista” e a “projetos bastante esquisitos” para a direita. Em seguida, acrescentou: “E aí, podemos contar com seu apoio ao Flávio ou ainda está ‘orando’?”.

Outro nome ligado ao bolsonarismo, o jornalista Oswaldo Eustáquio, que exilado está exilado na Espanha e também tem feito críticas públicas a Michelle Bolsonaro, chamou Damares de “uma das maiores feministas do Brasil”. (Foto: Ag. Senado; Fonte: O Globo)

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