A China suspendeu a importação de uma carga de 69 mil toneladas de soja brasileira após a identificação de trigo tratado com pesticidas misturado aos grãos no porão do navio que transportava o lote até o país asiático.
A decisão inclui, ainda, a interrupção temporária das compras de soja de cinco unidades produtoras brasileiras pertencentes a grandes empresas que atuam no mercado chinês.
Conforme apuração da Folha de SP, a partir desta quinta-feira (27), as exportações estão suspensas para duas plantas da Cargill localizadas em São Paulo, além de outras unidades da Louis Dreyfus e da CHS Agronegócio, também no estado. Uma unidade da 3Tentos, situada no Rio Grande do Sul, também teve suas exportações interrompidas.
O comunicado da GACC (Administração-Geral de Aduanas da China), enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), classifica o episódio como uma “infração grave” às normas chinesas de segurança alimentar, justificando as medidas de contenção. A sanção, porém, atinge apenas unidades específicas de cada empresa, permitindo que outras plantas continuem exportando normalmente para o país asiático.
De acordo com a autoridade chinesa, foram encontrados dentro do porão do navio Shine Ruby, responsável pelo transporte das 69 mil toneladas, cerca de dez toneladas de trigo com revestimento químico, um pesticida não autorizado no mercado chinês.
O órgão avaliou que o produto químico é tóxico e destinado exclusivamente ao plantio, não ao consumo humano ou animal, sendo classificado como um risco sanitário inaceitável. Além disso, o trigo brasileiro não possui autorização para exportação à China, o que reforçou a violação das regras comerciais e sanitárias locais.
Em carta enviada à Embaixada do Brasil em Pequim, à qual a Folha teve acesso, a GACC afirmou que a decisão tem como objetivo “proteger a saúde dos consumidores chineses e garantir a segurança da soja importada” pelo país asiático.
A China é atualmente o maior comprador mundial da soja brasileira, respondendo pela importação de US$ 31,5 bilhões em grãos em 2024, o que representa 73% da soja exportada pelo Brasil para o mundo, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. E mais: Tiroteio na Casa Branca deixa dois soldados mortos; Trump promete reação. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: Folha de SP)

