China amplia controle sobre níquel no Brasil após compra de minas em GO

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A Anglo American concluiu a venda de suas minas de níquel no Brasil para a MMG, subsidiária da estatal chinesa China Minmetals, pelo valor de US$ 500 milhões, decisão que já gerou críticas e questionamentos. A reportagem é do Poder360 e da Folha de SP.

O níquel é o quinto elemento mais comum na Terra. Estima-se que as reservas conhecidas durarão mais 100 anos com as taxas de produção atuais. Ele ocorre em sulfetos encontrados no subsolo e em lateritas, que podem ser extraídas em minas a céu aberto.

A maior parte do aço inoxidável contém cerca de 8 a 10% de níquel. Esse material é referência para o design e construções de alta tecnologia. Cerca de dois terços de todo o níquel refinado produzido é utilizado pela indústria de aço inoxidável.

A transação inclui os complexos de Barro Alto e Codemin (Niquelândia), em Goiás, além de projetos de exploração nos estados do Pará e Mato Grosso. Com o acordo, a MMG passa a controlar cerca de 60% da produção nacional de níquel, reforçando sua presença no mercado global desse insumo estratégico, utilizado em baterias, veículos elétricos e aço inoxidável.

A controvérsia surge porque a Corex Holding, vinculada ao grupo turco Yildirim e com sede na Holanda, afirma ter oferecido US$ 900 milhões pelas mesmas minas.

A empresa questionou a operação tanto no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) quanto na Comissão Europeia, alegando riscos de concentração de mercado e prejuízos à segurança do suprimento global.

Segundo a Corex, a venda “permitirá à MMG Limited, controlada em última instância pela China Minmetals Corporation, adquirir o controle da totalidade do negócio de níquel da Anglo American no Brasil”.

Embora a negociação tenha ocorrido entre empresas privadas, a Constituição prevê que os direitos de exploração mineral são concedidos pelo Estado.

Na prática, a transação representou a transferência de concessões do governo federal, anteriormente detidas por uma empresa anglo-australiana, para uma subsidiária chinesa.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi acionado para avaliar se houve violação de normas que limitam a aquisição de terras rurais por estrangeiros, considerando que os ativos se localizam em áreas sensíveis. Em ofício, o órgão alertou para riscos à soberania:

A Corex também ressaltou efeitos para o mercado brasileiro. Segundo a empresa, a redução de fornecedores independentes pode restringir opções de compra, afetando preços, prazos de entrega e confiabilidade no fornecimento. O documento ainda fala em “ameaça concreta à estabilidade e competitividade dos mercados a jusante no Brasil”.

A transação repercutiu internacionalmente. Nos Estados Unidos, o AISI (Instituto Americano do Ferro e do Aço) pediu ao governo do presidente Donald Trump que pressione o Brasil para reavaliar o acordo, alegando que a operação fortalece a dependência global da China em minerais críticos.

Além disso, a Corex afirmou em petição à União Europeia que a venda contribui para reduzir a dependência da região de capacidades de refino concentradas, especialmente em meio a desafios geopolíticos e de mercado. A empresa alerta que, após a operação, entidades controladas pelo governo chinês poderiam representar até 60% do fornecimento global de níquel, um domínio capaz de provocar impactos significativos na dinâmica do mercado internacional. (Foto: site AngloAmerican; Fonte: Poder360)

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