A crise envolvendo o Banco Master terá reflexos diretos no bolso do cidadão comum e na dinâmica do mercado financeiro brasileiro. De acordo com Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, o impacto de um incidente desta escala acaba elevando as taxas de juros em novos empréstimos e reduzindo a rentabilidade de investimentos.
Durante a apresentação dos resultados do banco nesta quinta-feira (5), o executivo foi enfático ao declarar que “um evento dessa magnitude, no final do dia, acaba gerando um impacto para a sociedade no custo, no custo de captação de novos empréstimos, no preço dos investimentos. Essa conta vai ser paga. Esse dinheiro ‘desaparece’ mas sai de outro lugar depois”.
O rombo financeiro estimado já ultrapassa a marca dos R$ 50 bilhões. Desse total, cerca de R$ 46,9 bilhões correspondem a compromissos que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá de assumir para ressarcir clientes do conglomerado Master e do Will Bank.
Para cobrir esse buraco, os bancos brasileiros devem antecipar contribuições equivalentes a cinco anos — cerca de R$ 30 bilhões — logo no início de 2026. Maluhy questionou como o sistema pode viabilizar esse aporte sem sobrecarregar ainda mais a economia: “O aporte vai ser feito, mas como é que a gente atenua o custo ao máximo para os bancos, e, por consequência, para a sociedade como um todo?”.
Além do impacto direto no FGC, o detalhamento das perdas revela prejuízos em diversas esferas:
R$ 2,6 bilhões: Provisão necessária pelo BRB para cobrir fraudes em carteiras do Master.
R$ 1,8 bilhão: Perdas de institutos de previdência de servidores (RPPS) em papéis sem garantia.
R$ 433 milhões: Recursos da Oncoclínicas retidos em títulos do banco.
Centenas de milhões: Valores de empresas como Cedae, Emae e fundos da XP investidos no grupo.
O executivo do Itaú criticou duramente o modelo de negócio que permitiu tal cenário, afirmando que o propósito do FGC foi distorcido por plataformas que o utilizaram para alavancar modelos insustentáveis.
Maluhy destacou o rigor de sua instituição ao afirmar que “nós nunca distribuímos um CDB do Banco Master e nem COE da Ambipar” — esta última em recuperação judicial com dívidas de R$ 10 bilhões e sob investigação da CVM por suposta manipulação de ações envolvendo fundos ligados ao Master.
Para o CEO, o sistema financeiro precisa passar uma mensagem de solidez, garantindo que o fundo garantidor permaneça capitalizado: “A nossa visão como sistema é que o fundo precisa ser recapitalizado. Não há qualquer dúvida com relação a isso, porque a gente entende que é importante passar essa mensagem para todos os investidores, para os clientes que todos os dias compram depósitos de instituições, que o fundo tem patrimônio e que ele vai estar capitalizado”.
Ele concluiu defendendo revisões nas normas atuais para evitar reincidências: “É evidente que a gente não pode permitir que um evento dessa magnitude aconteça novamente, da forma como aconteceu. Esse é o ponto mais importante, é um evento muito, muito material”. Segundo ele, instituições que distribuíram esses títulos lucraram mais de R$ 1 bilhão em comissões, colocando interesses próprios à frente da segurança do sistema. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

