Em editorial publicado no domingo (27), o The Wall Street Journal afirmou que o caso envolvendo Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, ultrapassa o âmbito da política brasileira e representa uma ameaça direta à segurança dos Estados Unidos.
O jornal denuncia que registros falsificados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) estariam sendo usados pela Justiça brasileira para justificar a prisão do ex-auxiliar, transformando o episódio em um problema com implicações internacionais.
“O problema vai além de Martins: a falsificação de dados de viagem compromete a segurança nacional dos EUA”, escreveu o editorial, que critica o silêncio das autoridades norte-americanas sobre o episódio.
Segundo o WSJ, desde março de 2024, tribunais brasileiros utilizam documentos supostamente adulterados do CBP de Orlando para manter Martins sob acusações de fuga ilegal e risco de obstrução à Justiça.
O jornal também aponta omissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e do secretário de Estado, Marco Rubio, ao não se manifestarem publicamente sobre as inconsistências nos registros de imigração. “Seis meses depois, ela ainda não explicou o mistério dos registros de viagem falsos no CBP de Orlando”, diz o texto.
Filipe Martins foi preso em fevereiro de 2024 durante a Operação Tempus Veritatis, após a PF encontrar, no computador de Mauro Cid, uma lista de passageiros do voo presidencial para Orlando em dezembro de 2022. A Polícia Federal interpretou a presença do nome de Martins no documento como prova de que ele tentou fugir do país. No entanto, a defesa afirma que se trata de um homônimo e que o verdadeiro passaporte de Martins, dado como extraviado, teria sido utilizado de forma indevida.
O WSJ afirma categoricamente em seu texto: “Martins deveria estar em liberdade enquanto prepara sua defesa”.
O editorial também relaciona o episódio à recente imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros determinada por Donald Trump.
O presidente americano apontou em carta a Lula que haveria “déficits comerciais” com o Brasil, mas, segundo o WSJ, os dados mostram o oposto: os Estados Unidos mantêm superavit desde 2009. Para o jornal, a principal motivação de Trump seria a insatisfação com o tratamento judicial dado a Bolsonaro no Brasil.
“O presidente Trump anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil neste mês, apesar de os EUA terem superavit na balança comercial bilateral […] Sua principal queixa é a perseguição judicial a Bolsonaro, que perdeu a tentativa de reeleição em outubro de 2022”, aponta o texto.
Por fim, o jornal sugere que o governo norte-americano deveria promover uma investigação transparente sobre os registros falsificados do CBP, o que, além de proteger sua própria segurança interna, poderia “isentar Martins da acusação de ter fugido ilegalmente do Brasil”. (Foto: reprodução; Fonte: WSJ)

