Durante sessão realizada nesta sexta-feira (28), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, recorreu a versos do rapper Emicida e da escritora Carolina Maria de Jesus para embasar seu voto em um julgamento que trata de políticas de combate ao racismo.
A Corte já formou maioria para determinar que o governo federal elabore um plano nacional de enfrentamento ao racismo estrutural.
Cármen Lúcia citou trechos da obra de Emicida para ilustrar desigualdades históricas: “Emicida escreveu que, para eles negros, até para sonhar tem trave, a felicidade do branco é plena, a felicidade para o preto é quase”, afirmou a ministra, acrescentando que não aceita “viver em um país em que a Constituição para o branco seja plena e para o negro seja quase”. (continua)
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Ela prosseguiu com outro verso do rapper: “Naquela música, o Emicida diz que 80 tiros me lembram que há a pele alva e há a pele alvo”, concluindo que “não é possível continuar vivendo essa tragédia no Brasil”.
Na sequência, a magistrada mineira evocou palavras de Carolina Maria de Jesus: “Nós poderíamos lembrar com Carolina de Jesus: ‘não digam que sou da vida rebotalho, nem que fiquei à margem da vida. Digam que procurei trabalho, que sempre fui preterida’”. Cármen Lúcia destacou que o país não pode continuar “preterindo mais da metade da população brasileira por puro, grave, trágico racismo”.
Cármen Lúcia cita Emicida e escritora feminista em voto sobre racismohttps://t.co/UeMs6CJmMP pic.twitter.com/mYoeKoRjm9
— Gazeta do Povo (@gazetadopovo) November 28, 2025
O julgamento refere-se à ‘Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental’ (ADPF) nº 973, apresentada pela ‘Coalizão Negra por Direitos’ e por sete partidos de esquerda: PT, PSOL, PSB, PCdoB, PDT, Rede e PV.
A ação solicita que o governo seja obrigado a criar um “Plano Nacional de Enfrentamento ao Racismo Institucional e à Política de Morte à População Negra”.
Na petição, as entidades pedem que o STF reconheça a existência de um “estado de coisas inconstitucional” baseado no racismo estrutural e institucional, sustentado pelo próprio Poder Público. Embora a maioria dos ministros tenha apoiado a criação do plano, cinco deles — Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — rejeitaram declarar a existência desse “estado de coisas inconstitucional”.
O plano sugerido pelos autores da ação prevê 12 diretrizes. Entre elas:
– Adoção, por todos os entes federativos, de medidas para identificar e combater o racismo institucional em órgãos públicos e privados.
– Implementação obrigatória de cursos de capacitação para agentes de segurança pública focados no enfrentamento ao racismo.
– Com a maioria formada, o STF deve obrigar o Executivo federal a estruturar o plano nacional, mesmo sem o reconhecimento formal do “estado de coisas inconstitucional”. E mais: Quem é o brasileiro que morreu na guerra na Ucrânia nesta semana. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: Gazeta do Povo)

