O climatologista brasileiro Carlos Afonso Nobre, de 75 anos, foi selecionado pelo papa Leão XIV para compor um grupo de 11 ‘conselheiros’ do Vaticano. O anúncio foi divulgado oficialmente nessa segunda-feira (30).
Reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre mudanças climáticas na Amazônia, Nobre passa a integrar o ‘Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral’.
O organismo da Cúria Romana atua em temas como ‘direitos humanos, justiça social, promoção da paz e proteção ambiental’, sempre sob a orientação direta do pontífice.
Ao longo de sua trajetória, o pesquisador construiu carreira no ‘Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, onde permaneceu até se aposentar, em 2012.
Atualmente, exerce a função de cientista sênior no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.
Além disso, Nobre foi o primeiro brasileiro a integrar o grupo ‘Planetary Guardians’, iniciativa internacional que reúne cinetistas dedicados a estudos do tema. Nos últimos anos, ele também tem defendido a criação de um modelo econômico voltado à preservação da Amazônia.
Durante participação na COP30, realizada em Belém no ano passado, o climatologista falou sobre riscos sanitários associados à degradação ambiental.
“Se continuarmos a perturbar a natureza desse jeito, vamos ver mais epidemias e pandemias. No ano passado, a região da Amazônia já viu epidemias da febre mayaro e da febre oropouche”, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast.
O pesquisador também já ocupou a direção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Em suas análises, ele sustenta que todos os biomas brasileiros enfrentam ameaças severas, com alguns — como o Pantanal — correndo risco de desaparecimento nas próximas décadas.
A lista completa dos novos integrantes do dicastério inclui representantes de diferentes países e áreas de atuação, como o arcebispo Rogelio Cabrera López (México), o arcebispo Fulgence Muteba Mugalu (República Democrática do Congo), o bispo auxiliar Lizardo Estrada Herrera (Peru), além de acadêmicos e especialistas de instituições dos Estados Unidos, Quênia, Uganda e Suíça. (Foto: reprodução; Fontes: UOL; Band)

