A partir de dezembro, o Brasil contará com um general do Exército representando o país na embaixada em Pequim, marcando um novo patamar na relação bilateral com a China. Segundo reportagem da Folha de SP, o general Rovian Alexandre Janjar será o adido da Defesa, assumindo o posto com o status de oficial-general — algo até então exclusivo da representação brasileira em Washington.
A mudança ocorre em um momento de ampliação da estrutura diplomática em Pequim. O Itamaraty busca uma nova sede para a embaixada, mais ampla, em razão do aumento no número de representantes.
Além do general, também estão previstas as chegadas de um oficial da Receita Federal, outro da Polícia Federal, e um contra-almirante, que será o novo adido naval. A adidância militar está passando por reformas para abrigar os novos nomes, que se somam aos atuais adidos das três Forças, que permanecerão como adjuntos.
A reconfiguração acontece um ano após a visita oficial do comandante do Exército, general Tomás Paiva, à China. Durante a viagem, ele se reuniu com lideranças militares chinesas e visitou instalações da Norinco, gigante do setor de defesa.
O coronel da reserva Paulo Filho, que integrou a comitiva brasileira na ocasião e tem formação pela Universidade Nacional de Defesa chinesa, avalia que a medida “é um movimento natural, que vem sendo amadurecido já há alguns anos e que reflete a realidade atual do sistema internacional”.
Ele destaca o avanço das Forças Armadas chinesas, que desde 2015 ganharam destaque também nos domínios cibernético e espacial.
“A decisão de enviar oficiais-generais abre espaço para maior interação e pode facilitar eventuais aquisições de equipamentos a preços competitivos”, afirma o coronel.
O decreto que formaliza a nova estrutura em Pequim foi assinado por Luiz Inácio Lula da Silva e pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores, semanas após a visita oficial de Lula à China.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, “sob a orientação estratégica dos dois presidentes, a construção da comunidade sino-brasileira para um futuro compartilhado, visando um mundo mais justo e um planeta mais sustentável, produziu frutos”.
“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para aprofundar continuamente a cooperação em diversas áreas e agregar novas dimensões estratégicas”, completou. (Foto: divulgação; Fonte: Folha de SP)
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