Em meio às iniciativas do governo para reforçar programas de renegociação de dívidas e ampliar o acesso a crédito, um novo levantamento do Banco Central voltou a chamar atenção para um volume bilionário de recursos que permanecem esquecidos em instituições financeiras.
O dado reacende o debate sobre o destino desses valores e abre espaço para discussões sobre o uso desses recursos em políticas públicas voltadas ao sistema financeiro e ao consumidor.
Nesta terça-feira (12), o Banco Central do Brasil informou que ainda existem R$ 10,57 bilhões em recursos esquecidos por clientes em instituições financeiras do país, em um levantamento que reforça o tamanho do volume de valores parados no sistema bancário. Atenção: consulte sempre canais oficias!
Segundo os dados atualizados até março, a maior parte desse montante — R$ 8,13 bilhões — pertence a 45,3 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 2,43 bilhões estão vinculados a cerca de 5,04 milhões de empresas. Até o momento, o sistema já devolveu R$ 14,55 bilhões aos correntistas.
O tema ganhou novo peso após o governo Lula anunciar a intenção de utilizar parte desses recursos para financiar o programa Desenrola 2.0. A estimativa é de que entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões possam ser direcionados para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo usado para dar suporte a operações de crédito e reduzir o risco para os bancos.
Na prática, o fundo deve funcionar como uma espécie de garantia para cobrir eventuais inadimplências de pessoas que renegociarem dívidas dentro do programa. “O recurso hoje parado nas tesourarias dos bancos passará a gerar benefícios para o sistema financeiro e para as famílias”, informou o Ministério da Fazenda.
Uma portaria recente determinou que as instituições financeiras têm prazo de cinco dias úteis para transferir os valores ao FGO, prazo que se encerra nesta terça-feira (12). Após essa etapa, será publicado um edital de chamamento público permitindo que os titulares possam contestar a transferência dos recursos.
O prazo para contestação será de 30 dias corridos após a publicação do edital. O governo afirma que os cidadãos poderão consultar os valores, a instituição responsável e os dados das contas em ambiente restrito e individualizado.
O único canal oficial para consulta continua sendo o sistema “Valores a Receber”, do Banco Central. A devolução dos valores é feita preferencialmente via Pix. Nos casos em que o titular não possui chave cadastrada, é necessário entrar em contato com a instituição financeira ou criar uma chave para concluir o resgate.
O Banco Central também reforça que não envia mensagens, ligações ou solicitações diretas de dados pessoais para liberação dos valores, alertando para tentativas de golpe relacionadas ao sistema.
Desde fevereiro, o acesso ao sistema passou a exigir autenticação em duas etapas, além do login via conta gov.br nos níveis prata ou ouro, como forma de reforçar a segurança dos dados dos usuários. (Foto: PixaBay; Fonte: BPMoney)

