Banco Central descarta nota oficial sobre contatos entre Galípolo e Moraes

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O Banco Central não pretende divulgar qualquer comunicado oficial sobre o teor das conversas mantidas, nos últimos meses, entre o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão ocorre em meio ao avanço das investigações que apuram possíveis tentativas de intercessão em favor do Banco Master.

Segundo relatos feitos por Galípolo a interlocutores próximos, em nenhum momento houve pressão de qualquer natureza por parte de Moraes para impedir o veto à venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) — instituição financeira estatal do Distrito Federal — ou para evitar a abertura de um processo de liquidação.

O presidente do BC costuma ressaltar que a própria autarquia vetou formalmente a operação em 3 de setembro de 2025 e, posteriormente, decretou a liquidação extrajudicial do banco em 18 de novembro. (continua)

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(segue) As informações vieram à tona após reportagem do jornal O Globo, que revelou que Alexandre de Moraes manteve ao menos quatro contatos com Galípolo relacionados à situação do Banco Master.

Três dessas comunicações teriam ocorrido por telefone, enquanto uma teria sido presencial. Os contatos teriam como objetivo tratar das dificuldades enfrentadas pela instituição financeira. (continua)

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(segue) De acordo com a apuração, Moraes teria defendido o dono do banco e solicitado que o Banco Central autorizasse a venda do Master ao BRB, operação anunciada em março, mas que ainda dependia de aval regulatório.

Durante as conversas, Galípolo informou ao ministro que técnicos da autarquia haviam identificado indícios de fraudes envolvendo R$ 12,2 bilhões em créditos transferidos ao BRB, o que inviabilizaria a aprovação do negócio. Após essa comunicação, Moraes teria reconhecido que a operação não poderia avançar.

O episódio teve desfecho em 18 de novembro, quando a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros seis executivos ligados ao banco, ao mesmo tempo em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.




A investigação também envolve o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que mantinha contrato com o Banco Master.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, o que totalizaria cerca de R$ 130 milhões. Apesar disso, órgãos oficiais informaram que não há registros de atuação do escritório junto ao Banco Central, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ou à Receita Federal.

Técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal e ao Ministério Público que nunca haviam sofrido tamanho nível de pressão política em torno de um único banco.

Em entrevista concedida no fim do ano, Galípolo afirmou estar “à disposição do Supremo” para prestar esclarecimentos e reforçou que todas as decisões e movimentações da autarquia estão devidamente documentadas.




Na última sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, determinou que o Banco Central enviasse esclarecimentos sobre a liquidação do Banco Master até o dia 23 de dezembro. A decisão causou estranheza nos bastidores, uma vez que o TCU não possui competência direta sobre transações entre instituições financeiras privadas.

O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal após decisão do ministro Dias Toffoli, que determinou que a investigação ficasse sob jurisdição da Corte. A Polícia Federal ficará responsável pela organização das oitivas, que serão acompanhadas por juízes auxiliares do STF.

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