A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), que ele entregou uma arma registrada em seu nome a um integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para que fosse verificada uma falha em seu funcionamento.
No documento enviado à Corte, os advogados afirmam que a pistola havia sido tornada inoperante anteriormente pela própria equipe de segurança do ex-presidente. Segundo a justificativa apresentada, a medida teria sido adotada como precaução diante de questões relacionadas ao quadro de saúde de Bolsonaro.
“[…] as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante.”
A defesa relembrou ainda um episódio ocorrido em novembro de 2025, quando Bolsonaro, durante outro período de prisão domiciliar, tentou romper a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente sofreu episódios de alucinação e um quadro de paranoia que poderia estar relacionado ao uso de medicamentos.
Segundo os advogados, ao manusear a arma, Bolsonaro teria percebido que havia algum problema no mecanismo. Após realizar testes, ele concluiu que o equipamento não funcionava normalmente e decidiu pedir auxílio a um militar que atua em sua segurança pessoal.
“A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção”, sustenta a defesa.
Os representantes do ex-presidente também afirmam que não existe interesse imediato na devolução da arma enquanto Bolsonaro permanecer em prisão domiciliar.
A pistola, uma Glock calibre 9 milímetros, acabou sendo apreendida durante uma abordagem da Polícia Militar realizada em Brasília na última segunda-feira (15). Conforme informações do sistema do Exército, o armamento possui registro em nome do ex-presidente.
Embora a documentação da arma estivesse regular, o equipamento foi recolhido pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não foi encontrado no veículo durante a abordagem.
O automóvel era conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, militar ligado ao GSI e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. Em depoimento, ele afirmou que a arma seria levada para manutenção e posteriormente devolvida ao ex-presidente.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. Desde março deste ano, ele está em prisão domiciliar humanitária por decisão judicial, autorizada para recuperação de um quadro de broncopneumonia. E mais: Urgente: PGR se manifesta sobre revisão da pena de Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: G1)
